ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

17/Aug/2026

El Niño forte deve ampliar riscos climáticos no Brasil

A probabilidade de ocorrência de um El Niño classificado como muito forte nos últimos meses de 2026 subiu para 95%, ante 81% no boletim anterior, divulgado em 9 de julho, segundo a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA). A projeção indica intensificação do fenômeno até o fim do ano e manutenção das condições de El Niño até o início da primavera de 2027 no Hemisfério Norte, equivalente aos meses de março e abril, quando começa o outono no Hemisfério Sul. A NOAA estima em 97% a probabilidade de o fenômeno persistir até o início da primavera de 2027 no Hemisfério Norte. A agência também calcula em 69% a chance de o evento figurar entre os mais intensos registrados desde 1950, considerando os períodos de maior aquecimento das águas do Oceano Pacífico. O El Niño é um fenômeno climático natural caracterizado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, com efeitos sobre a circulação atmosférica global e impactos sobre regimes de ventos, chuvas e temperaturas.

O fenômeno oposto, La Niña, ocorre quando há resfriamento das águas do Pacífico e provoca alterações climáticas em diferentes regiões do planeta. A projeção da NOAA está próxima da avaliação mais recente do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), que atribuiu probabilidade de 100% para a manutenção do El Niño até pelo menos o início de 2027. A possibilidade de o fenômeno alcançar a categoria muito forte, caracterizada por aquecimento superior a 2°C nas águas do Oceano Pacífico, também é considerada elevada. No Brasil, os impactos historicamente mais intensos do El Niño são observados na Região Sul, onde o fenômeno está associado a maior frequência de chuvas acima da média, temporais, cheias de rios, enchentes, alagamentos e deslizamentos de terra. Na Região Norte, especialmente na Amazônia, o padrão esperado é de redução das chuvas, temperaturas acima da média e atraso no início da estação chuvosa.

Esse cenário pode favorecer a persistência da estiagem na Amazônia, reduzir a disponibilidade hídrica, aumentar o ressecamento da vegetação e elevar significativamente o risco de incêndios florestais. O avanço da estiagem também tende a provocar redução gradual dos níveis dos rios. Embora grande parte das bacias hidrográficas ainda apresente condições próximas da normalidade, os indicadores apontam avanço do quadro de seca em diferentes sub-bacias da Amazônia. A intensificação do El Niño também pode favorecer uma temporada de tempestades mais severas nos próximos meses, aumentando as condições para ocorrência de tornados. Esses fenômenos são localizados e apresentam baixa previsibilidade com antecedência, mas o cenário atmosférico projetado exige atenção diante da possibilidade de aumento da atividade de tempestades. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.