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17/Aug/2026

Exportações brasileiras concentradas em 5 produtos

Em meio às tensões geopolíticas e às incertezas associadas ao ‘efeito Trump’, a necessidade de diversificação de mercados e da pauta exportadora permanece no centro das discussões sobre o comércio exterior brasileiro. Os dados do Indicador de Comércio Exterior (Icomex), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), mostram, contudo, que as exportações continuam relativamente concentradas. Os cinco principais produtos responderam por 46,7% das exportações totais do Brasil no acumulado de janeiro a julho de 2026, ante 43,3% em igual período de 2025. Em julho, os volumes exportados e importados recuaram na comparação com igual mês de 2025. A alta dos preços, entretanto, garantiu crescimento em valor dos fluxos de comércio e contribuiu para a ampliação do superávit comercial na comparação interanual. No acumulado do ano, o petróleo foi o principal fator de contribuição para as exportações, com participação de 33,2%, seguido pela soja, com 22,44%.

A carne bovina também apresentou destaque na pauta. Em julho, carne bovina e minério de ferro exerceram influências negativas sobre as exportações, enquanto petróleo, soja e óleo combustível tiveram contribuições positivas. O petróleo registrou queda de 8,2% no volume exportado, mas os preços avançaram 35,2%, compensando a retração quantitativa e resultando em contribuição positiva para o desempenho das exportações. O comportamento evidencia a influência dos preços das commodities sobre o valor exportado pelo Brasil. O saldo da balança comercial alcançou US$ 7,1 bilhões em julho, elevando o superávit acumulado no ano para US$ 49,0 bilhões. O resultado é US$ 11,8 bilhões superior ao registrado em igual período de 2025. Entre os principais parceiros comerciais, o saldo com a China melhorou em US$ 8,1 bilhões, enquanto o resultado com a União Europeia apresentou ganho de US$ 2,9 bilhões. Com os Estados Unidos, o déficit comercial aumentou de US$ 2,1 bilhões para US$ 2,3 bilhões.

Com a Argentina, o superávit brasileiro recuou de US$ 3,5 bilhões para US$ 1,2 bilhão, evidenciando comportamentos distintos entre os principais parceiros comerciais do País. Em valor, as exportações totais do Brasil cresceram 6,2% em julho, enquanto as importações avançaram 7,6%. No mês, o volume exportado recuou 4,0%, mas os preços de exportação aumentaram 10,7%. Nas importações, os preços subiram 8,0%, acompanhados de redução do volume. No acumulado de janeiro a julho, as exportações cresceram 10,5%, resultado de aumento de 2,8% no volume e de 7,1% nos preços. As importações avançaram 5,5%, com alta de 0,2% no volume e de 5,2% nos preços. O desempenho mantém o saldo comercial em trajetória positiva, mas também reforça a relevância da concentração da pauta exportadora em produtos básicos e de forte exposição às oscilações internacionais de preços e demanda. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.