17/Aug/2026
Segundo análise da Amcham Brasil no Monitor do Comércio BR-EUA, o déficit comercial do Brasil com os Estados Unidos se aprofundou em 2026, refletindo a perda de fôlego das exportações brasileiras e sinais de estabilização das importações no curto prazo. A piora do saldo bilateral indica um período de ajuste no comércio com o principal parceiro do Brasil no Ocidente, influenciado também por mudanças na composição da pauta comercial. O desempenho por produto é heterogêneo. Em itens relevantes da pauta, as vendas brasileiras aos Estados Unidos perderam dinamismo em relação ao comportamento das exportações desses mesmos produtos para o restante do mundo. O descolamento indica a presença de fatores específicos do mercado norte-americano afetando o fluxo comercial bilateral.
Em alguns produtos, a dinâmica observada no ano combina retração dos volumes exportados com alterações nos preços médios. Esse comportamento mostra que a piora do saldo bilateral não pode ser explicada por um único fator, como câmbio ou preços internacionais. A evolução específica de cada produto e as mudanças na composição da pauta são determinantes para compreender o desempenho do comércio entre os dois países. A combinação entre menor ritmo das exportações e comportamento mais estável das importações contribui para o aprofundamento do déficit comercial brasileiro com os Estados Unidos. O movimento ocorre mesmo com alguns segmentos ainda apresentando crescimento, evidenciando diferenças relevantes entre os produtos que compõem o fluxo bilateral.
Apesar da retração das exportações destinadas ao mercado norte-americano, os Estados Unidos permanecem com participação elevada no comércio exterior brasileiro. O país continua sendo o segundo maior destino das exportações brasileiras e a segunda principal origem das importações do Brasil, mantendo posição estratégica na corrente de comércio nacional. A queda das exportações brasileiras para os Estados Unidos em julho foi puxada principalmente pelos bens sem sobretaxa. Embora parcela relevante da pauta brasileira esteja submetida a regimes tarifários mais elevados, a retração registrada no mês concentrou-se nos produtos isentos, com destaque para a redução dos embarques de café. O resultado indica que a perda de dinamismo do comércio bilateral não ficou restrita aos produtos diretamente afetados pelas novas tarifas.
Entre os bens submetidos às alíquotas mais elevadas, o desempenho brasileiro nos Estados Unidos apresentou descolamento mais acentuado em relação ao comportamento desses produtos em outros mercados. Entre os principais itens sujeitos a sobretaxas de 25% ou 37,5%, a maioria registrou queda nas vendas aos Estados Unidos, enquanto vários desses mesmos produtos apresentaram variações positivas no comércio com o restante do mundo. O diferencial tarifário tende a reduzir a competitividade dos produtos brasileiros no mercado norte-americano e pode alterar decisões de compra e de fornecimento. Os segmentos submetidos às maiores sobretaxas são justamente aqueles que vêm perdendo maior dinamismo nas vendas aos Estados Unidos, mesmo quando o desempenho global dos respectivos produtos permanece positivo.
Esse comportamento amplia o risco de perda de participação dos exportadores brasileiros nos setores mais expostos às medidas comerciais. O impacto pode se tornar mais persistente do que oscilações pontuais de preços ou de demanda, uma vez que condições tarifárias menos favoráveis podem acelerar a substituição de fornecedores brasileiros no mercado norte-americano. O relatório também destaca a reversão do desempenho das exportações em julho, após uma melhora pontual registrada em junho. No acumulado de janeiro a julho, as vendas brasileiras aos Estados Unidos permaneceram em nível fraco e atingiram o menor patamar para o período desde 2023. O resultado indica que a recuperação observada no mês anterior ainda não se consolidou e que o ambiente permanece desafiador para a pauta exportadora brasileira destinada ao mercado norte-americano. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.