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17/Aug/2026

Reciprocidade: instrumento para negociar com EUA

Segundo a LCA Consultoria Econômica, a estratégia do governo Luiz Inácio Lula da Silva de iniciar o procedimento previsto na Lei de Reciprocidade, simultaneamente à realização de consultas diplomáticas com os Estados Unidos, pode ampliar as possibilidades de negociação diante das tarifas impostas a produtos brasileiros. A avaliação da é de que a preparação de uma lista de medidas críveis, proporcionais e negociáveis tende a aumentar a capacidade de o Brasil utilizar o processo como instrumento de negociação, sem necessariamente avançar para uma retaliação comercial efetiva. Uma eventual resposta brasileira precisa considerar a composição das exportações dos Estados Unidos para o Brasil, concentrada em produtos de maior conteúdo tecnológico e em cadeias consideradas sensíveis. Entre esses segmentos estão máquinas e equipamentos, produtos químicos e insumos petroquímicos, itens farmacêuticos, equipamentos médicos, peças aeronáuticas, eletrônicos e instrumentos de precisão, além de combustíveis e insumos agrícolas e industriais que contam com poucos fornecedores alternativos.

Embora esses grupos possam ser considerados candidatos naturais a eventuais medidas de reciprocidade, a avaliação econômica é de que nem todos constituem alvos adequados. A seleção mais racional tende a privilegiar bens finais com maior possibilidade de substituição, disponibilidade de fornecedores alternativos e relevância política nos Estados Unidos, reduzindo os riscos de impactos negativos sobre a economia brasileira. Nesse desenho, bens de capital, produtos relacionados à saúde, energia e insumos sem substituição rápida deveriam ser preservados, de modo a limitar efeitos sobre custos de produção, oferta doméstica e preços ao consumidor. Medidas direcionadas a serviços, propriedade intelectual, concessões comerciais e investimentos apresentam, por outro lado, maior risco jurídico e econômico.

No mercado de câmbio, o efeito de uma eventual reciprocidade dependerá da combinação entre os diferentes fluxos comerciais. Uma redução das exportações brasileiras para os Estados Unidos diminuiria a entrada de dólares no País e tenderia a exercer pressão de depreciação sobre o real. Em sentido contrário, uma eventual redução das importações provenientes dos Estados Unidos poderia produzir apreciação cambial ou compensar parcialmente esse efeito, dependendo do desenho e da abrangência das medidas adotadas. O processo de reciprocidade, portanto, tende a funcionar inicialmente como instrumento de pressão e negociação, enquanto a definição de eventuais contramedidas deverá considerar os efeitos sobre cadeias produtivas, preços, oferta de insumos e equilíbrio cambial. A seletividade das medidas será determinante para ampliar o poder de negociação do Brasil e, simultaneamente, limitar impactos adversos sobre a economia doméstica. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.