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14/Aug/2026

EUA acusa Brasil e 40 países de beneficiarem China

Os Estados Unidos divulgaram relatório acusando o Brasil e cerca de 40 países de contribuir para o desvio de tarifas de importação norte-americanas aplicadas a produtos chineses por meio de transbordo ilegal. Intitulado ‘O Grande Esquema do Transbordo’, o documento classifica os países em diferentes níveis de ligação econômica e logística com a China. O Brasil foi incluído no Nível 2, denominado Integração Econômica Significativa, ao lado de países como Turquia, Vietnã, Tailândia, Indonésia e Malásia. Segundo o relatório, esses países combinam volumes relevantes de transbordo ilegal com integração às cadeias de oferta chinesas, plataformas de manufatura, sistemas logísticos e canais regionais de redirecionamento de mercadorias. O documento aponta Brasil e Turquia como importantes plataformas regionais de produção e logística e acusa os dois países de simularem a transformação de produtos em diferentes categorias para alterar a origem declarada das mercadorias.

O Brasil também é citado como integrante dos chamados ‘Corredores Latino-Americanos’, utilizados para o redirecionamento de produtos nos oceanos Pacífico e Atlântico, armazenamento em entrepostos aduaneiros e montagem regional de componentes. Entre os principais parceiros comerciais dos Estados Unidos, México, Canadá, União Europeia, Japão e Índia foram classificados no Nível 1, denominado Líderes de Escala Diversificados. O grupo reúne países e blocos que importam amplos volumes de produtos chineses, mantêm bases industriais diversificadas e operam grandes plataformas de exportação para os Estados Unidos. O relatório considera que o risco de transbordo ilegal é intrínseco aos fluxos legítimos de comércio dessas economias.

O Nível 3, denominado ‘Pequenos Alvos Oportunistas Chineses’, reúne economias menores, com volumes inferiores de transbordo ilegal, que podem funcionar como elos de vantagem para a China devido a fatores como baixo custo de mão de obra, zonas de livre comércio e acesso portuário ou fronteiriço. Camboja, Laos e Myanmar integram esse grupo. Segundo o relatório, além de permitir o contorno de tarifas, o transbordo ilegal produz efeitos secundários sobre a economia norte-americana, com perdas de empregos, redução do Produto Interno Bruto (PIB) e menor arrecadação federal. Estimativas de diferentes bancos reunidas no documento apontam perdas entre US$ 40 bilhões e US$ 300 bilhões por ano. O documento destaca que as importações provenientes da China estão atualmente sujeitas a uma tarifa de 50%, sem considerar as tarifas setoriais.

A diferença em relação às alíquotas aplicadas a outros países, principalmente México e Canadá, que possuem algumas isenções garantidas pelo acordo USMCA, cria incentivo à chamada triangulação comercial para redirecionar produtos chineses aos Estados Unidos. O relatório foi elaborado sob responsabilidade de Peter Navarro, assessor econômico do governo de Donald Trump. Em publicação na rede social X, Navarro compartilhou comentário atribuído ao secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, segundo o qual o transbordo ilegal representa uma tentativa deliberada de evitar tarifas e não apenas uma violação técnica das regras comerciais. Recentemente, os Estados Unidos aplicaram tarifas sobre produtos do Brasil, Canadá, União Europeia e de outros países por diferentes motivos, incluindo acusações relacionadas a trabalho escravo, em uma tentativa de recompor alíquotas derrubadas pela Suprema Corte norte-americana no início deste ano. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.