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14/Aug/2026

Estreito de Ormuz: países buscam rotas alternativas

A Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA), órgão criado pelo Irã para administrar o Estreito de Ormuz, afirmou que as alegações e postagens repetidas de autoridades norte-americanas de que a via marítima está aberta são falsas e não irão "mudar a realidade". O Estreito de Ormuz continua bloqueado e não será reaberto até que as condições do Irã sejam aceitas. Os comentários reforçam a declaração de autoridades iranianas de que o país não permitirá a passagem de grandes embarcações pelo Estreito de Ormuz por "questões de segurança". O A força paramilitar Basij do Irã afirmou nesta quinta-feira (13/08) que o Estreito de Ormuz está sob o controle e a administração do Irã. Os Basij são subordinados à Guarda Revolucionária Islâmica do Irã e ao líder supremo, o aiatolá Mojtaba Khamenei. Os Estados Unidos e o Irã disputam o controle sobre a importante rota marítima. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que os norte-americanos teriam "total controle" do Estreito de Ormuz. Segundo ele, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) está dizimada e fugindo, sem poder "fazer nada" contra o bloqueio naval dos Estados Unidos a portos iranianos.

O Irã garante que domina o Estreito de Ormuz e pretende impor um pedágio em breve. O Irã afirmou ter frustrado uma suposta tentativa dos Estados Unidos de realizar um ataque terrestre em seu território. O secretário da Comissão de Segurança Nacional do Parlamento iraniano, Ebrahim Azizi, disse que as forças norte-americanas planejavam entrar no país e atacar pelo oeste, incluindo as ilhas de Kharg e Qeshm, entre outras áreas. Mediadores do Paquistão sustentam que há negociações em curso, versão que o Irã nega. Uma fonte iraniana ouvida pela Reuters afirmou que não há conversas com os Estados Unidos sobre qualquer extensão de cessar-fogo, alegando que não existe trégua em vigor. Enquanto Estados Unidos e Irã brigam pelo controle do Estreito, países do Golfo Pérsico buscam alternativas. Grande parte do petróleo que atravessa Ormuz é levada por navios que navegam por uma zona de risco, sob ameaça de drones iranianos ou operam “às escuras”, com dispositivos de localização desligados. Pelo menos 17 marinheiros já morreram na região.

Os países do Golfo estão construindo, ampliando oleodutos e outras infraestruturas para driblar Ormuz, além de expandir a capacidade de armazenamento do produto na Ásia. As iniciativas mostram como a guerra transformou o setor de petróleo na região. Embora exijam bilhões em investimentos e levem anos para serem concluídas, empresas e governos as consideram essenciais. Mesmo que um cessar-fogo se concretize, os exportadores do Golfo reconhecem que depender muito de uma única rota é um risco que não podem mais correr. Além disso, essas medidas podem, com o tempo, reduzir a influência do Irã. Segundo a Universidade do Texas, nenhum país do mundo quer voltar a depender tanto da passagem pelo Estreito de Ormuz. Os produtores de energia começaram a priorizar a segurança de sua infraestrutura, mesmo que isso implique custos mais elevados e menor eficiência. Antes da guerra, 20 milhões de barris de petróleo bruto passavam diariamente por Ormuz. Com bloqueios, minas marítimas, ataques e a alta nos custos de seguro, o fluxo praticamente paralisou. As exportações de petróleo pelo Estreito caíram para 3,7 milhões de barris por dia, na semana passada, segundo a Kpler, que monitora o comércio.

O volume, porém, é um pouco maior devido a embarcações que dificultam seu rastreamento. Milhões de barris também estão sendo escoados por outros oleodutos. Ainda assim, é evidente em toda a região o ritmo frenético de atividades para criar alternativas ao Estreito de Ormuz. Em Fujairah, porto dos Emirados Árabes, equipes de construção trabalham dia e noite para instalar uma linha secundária paralela a um oleoduto já existente para trazer petróleo de Abu Dhabi. O projeto visa dobrar a capacidade de escoamento alternativo do país para 3,6 milhões de barris por dia, permitindo que praticamente todo o petróleo bruto chegue aos navios sem passar pelo Estreito. Além disso, a gigante estatal de energia Abu Dhabi National Oil Company (Adnoc) anunciou planos de investir US$ 8,2 bilhões para expandir suas operações de gás natural. A empresa também estuda construir uma instalação de exportação de gás liquefeito em sua costa leste, para contornar Ormuz. Na Arábia Saudita, a estatal de petróleo Aramco acelerou um projeto multibilionário de expansão de seu oleoduto Leste-Oeste.

Projetado durante a Guerra Irã-Iraque, nos anos 1980, ele tem 1.201 quilômetros de extensão e atravessa a Península Arábica em direção ao Porto de Yanbu, no Mar Vermelho. A Aramco descreveu o oleoduto como uma “linha vital” para a economia do reino, permitindo o redirecionamento de 7 milhões de barris por dia. Autoridades sauditas querem exportar mais 2 milhões de barris por dia pela rota e consideram um segundo oleoduto paralelo para produtos refinados. A incerteza também impulsiona projetos conjuntos. O Kuwait negocia com a Arábia Saudita a construção de um oleoduto que liga os campos de petróleo do país a portos no Mar Vermelho e em Omã. Iraque e Jordânia retomaram planos para um oleoduto capaz de transportar até 1 milhão de barris por dia até o Porto de Aqaba, no Mar Vermelho. Além disso, o Iraque acelera os planos para reconstruir um velho oleoduto danificado para transportar petróleo dos campos de Kirkuk para a costa síria do Mediterrâneo. No entanto, muitas dessas soluções trazem enormes complicações. A mudança na rota comercial da Arábia Saudita deslocou o desafio de segurança para o Mar Vermelho e o Estreito de Bab el-Mandeb onde a milícia Houthi, do Iêmen, tem atacado embarcações.

Na terça-feira (11/08), seis pessoas morreram quando um navio foi atingido na região. Além de novos oleodutos, os países do Golfo criaram “seguros físicos” a milhares de quilômetros de distância, ampliando a capacidade de armazenamento na Coreia do Sul, Japão e Índia. A lógica é simples: se o Estreito for fechado, o petróleo já estará do outro lado da barreira. Todos estão aumentando o armazenamento. A segurança energética está se tornando prioridade. No entanto, analistas observaram que, embora as tensões envolvendo o Irã tenham evidenciado a dependência do Estreito de Ormuz, a rota jamais será totalmente eliminada. Segundo a consultoria Crystol Energy, todos precisam do Estreito, que oferece muitas vantagens e a infraestrutura já existe. Mas, foi imprudente depositarem toda a confiança em Ormuz. Ainda, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou nesta quinta-feira (13/08) que as forças armadas dos Estados Unidos podem manter um bloqueio nos portos iranianos pelo tempo que for necessário. "Indefinidamente, a Marinha dos Estados Unidos pode manter um bloqueio como esse porque vamos rotacionar os navios, como temos feito, e continuaremos a fazê-lo", disse Hegseth. Fontes: Broadcast Agro e Reuters. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.