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13/Aug/2026

Dólar avança acompanhando movimento externo

O dólar ganhou força na última hora de negócios nesta quarta-feira (12/08), acompanhando a valorização da moeda norte-americana no exterior e a alta das taxas dos Treasuries. A cotação atingiu máxima de R$ 5,18 na reta final do pregão e encerrou em alta de 0,37%, a R$ 5,17, maior nível de fechamento desde 2 de julho, quando terminou em R$ 5,20. Em agosto, a moeda acumula valorização de 2,16%. O mercado de câmbio doméstico apresentou acomodação após a forte deterioração dos ativos brasileiros na sessão anterior, quando o rebaixamento da recomendação do JPMorgan para o Brasil e a divulgação de pesquisas eleitorais contribuíram para uma queda de 2,50% do Ibovespa, em meio a relatos de saída expressiva de capital estrangeiro. As oscilações do câmbio foram determinadas principalmente pelo ambiente externo.

O dólar chegou a recuar no início da sessão, após dados comportados da inflação ao consumidor nos Estados Unidos em julho reforçarem as expectativas de manutenção da taxa básica de juros norte-americana em setembro. Com o fortalecimento da moeda dos Estados Unidos no exterior, o Real perdeu valor. O movimento de desvalorização do Real em agosto é associado a uma realocação de portfólio entre mercados emergentes, com saída de recursos da Bolsa brasileira, além do aumento da volatilidade provocado pela proximidade da eleição presidencial. A incerteza sobre o resultado eleitoral e a ausência de propostas claras dos principais candidatos para o enfrentamento da questão fiscal também reduzem a atratividade dos ativos denominados em Real. A perspectiva de desaceleração mais intensa da atividade econômica contribui adicionalmente para esse cenário.

O índice DXY, que mede o comportamento do dólar ante uma cesta de seis moedas fortes, ganhou força à tarde e alcançou máxima de 100,023 pontos, após tocar 100,000 pontos. As taxas dos Treasuries também passaram a subir depois da divulgação de dados fiscais nos Estados Unidos, pressionando as moedas de países emergentes. Entre os principais pares do Real, apenas o rand sul-africano apresentou valorização. O índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos (CPI) de julho e seu núcleo ficaram em linha com as estimativas, reforçando a expectativa predominante de manutenção dos juros pelo Federal Reserve (Fed) em setembro. Essa projeção ganhou força após dados mais fracos do mercado de trabalho norte-americano divulgados na semana anterior. A combinação de inflação comportada e desaceleração do mercado de trabalho reduz a pressão sobre a ala mais conservadora do Federal Reserve, que defende uma política monetária mais restritiva.

Apesar de o mercado ainda precificar possibilidade de aumento dos juros nos Estados Unidos ainda neste ano, a avaliação predominante é de manutenção das taxas por período prolongado, inclusive durante boa parte de 2027. No Brasil, mesmo em um cenário de eventual alta dos juros pelo Federal Reserve combinada a novos cortes da Selic, o diferencial entre as taxas domésticas e externas permaneceria elevado, oferecendo suporte ao Real. Os termos de troca favoráveis e os saldos comerciais robustos também contribuem para sustentar a moeda brasileira. Nesse contexto, o movimento recente de desvalorização do Real é considerado predominantemente tático e de curto prazo, sem caracterizar uma mudança estrutural na trajetória da moeda. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.