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13/Aug/2026

El Niño reduz seca no Sul e eleva risco no Matopiba

Os efeitos do El Niño, com aumento das chuvas na Região Sul do Brasil, podem favorecer a safra de grãos 2026/27, após quatro anos consecutivos de estiagem. Em contrapartida, o fenômeno climático aumenta o risco de estresse hídrico no Centro-Norte e no Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). Na região Sul, a expectativa é de que o aumento das chuvas reduza significativamente os riscos associados à estiagem, embora possa elevar a ocorrência de doenças fúngicas nas lavouras e afetar a qualidade de culturas de inverno, como o trigo, especialmente durante a colheita. Mesmo com esses riscos, a perspectiva para o volume produzido permanece positiva. As perdas relacionadas ao excesso de chuvas podem alcançar até 20%, enquanto a estiagem vinha provocando perdas de 50% a 60% da produção dos agricultores do Rio Grande do Sul.

Para a safra 2026/27, o cenário climático pode favorecer uma ligeira migração de área de soja para milho de verão no Sul. A combinação entre o cenário econômico desafiador e o início antecipado das chuvas associadas ao El Niño tende a favorecer o cultivo do cereal. O ambiente de maior cautela também tem levado os produtores a postergar a aquisição de insumos para o próximo ciclo. O ritmo mais lento é observado no Rio Grande do Sul e está relacionado à maior descapitalização dos produtores, que aguardaram processos de renegociação de dívidas antes de avançar nas compras para a nova safra. No Centro-Norte, a principal preocupação está relacionada à possibilidade de períodos prolongados de estiagem, os chamados veranicos. A maior vulnerabilidade está concentrada no Matopiba, devido ao risco de estresse hídrico.

A utilização de genética adequada e de produtos adaptados à menor disponibilidade de água pode contribuir para mitigar eventuais perdas de produtividade. Não deve haver redução da área semeada na Região Norte. A necessidade de geração de receita para honrar passivos financeiros limita a possibilidade de redução da escala de produção. Nesse cenário, os produtores tendem a ajustar a adubação do solo para aproveitar as reservas disponíveis ou adotar estratégias mais austeras e de menor risco para a 2ª safra de 2027. O ritmo de aquisição de defensivos e sementes na Região Norte também está mais lento que em anos anteriores. A cautela não está diretamente relacionada às perspectivas climáticas, mas à situação financeira dos produtores, que priorizaram a quitação de compromissos referentes à safra anterior e à 2ª safra de 2026 antes de assumir os custos operacionais da temporada 2026/27. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.