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13/Aug/2026

RJs no Agronegócio avançam no 1º trimestre/2026

Segundo dados da Serasa Experian, o número de pedidos de recuperação judicial no agronegócio aumentou 21,9% no primeiro trimestre de 2026, para 474 casos, ante 389 no mesmo período de 2025. O avanço ocorre em um cenário de margens apertadas, custos elevados de produção, crédito mais seletivo, juros altos e maior endividamento dos produtores, quadro que permanece pressionando a saúde financeira do setor mesmo diante da perspectiva de produção recorde de grãos. A deterioração financeira do agronegócio se intensificou a partir de 2024 e está relacionada à combinação de custos elevados de insumos, recuo das cotações de commodities e aumento das despesas financeiras. Em 2026, o encarecimento de fertilizantes e combustíveis associado à guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã ampliou a pressão sobre os custos de produção, enquanto as cotações de produtos como soja e milho permanecem pressionadas. O ambiente de crédito mais restritivo, combinado à manutenção dos custos elevados e ao maior nível de alavancagem, continua comprometendo o fluxo de caixa no campo.

Apesar do aumento dos pedidos no primeiro trimestre, o volume ficou abaixo dos 565 casos registrados no segundo trimestre de 2025 e dos 628 no terceiro trimestre. Em 2025, o agronegócio contabilizou 1.990 pedidos de recuperação judicial, recorde da série histórica da Serasa Experian e alta de 56% ante 2024. Mesmo com a desaceleração em relação ao segundo e terceiro trimestres de 2025, os 474 pedidos registrados nos primeiros três meses de 2026 superaram o total acumulado em todo o ano de 2022 e em 2021. A evolução evidencia que a deterioração financeira iniciada nos últimos anos continua afetando o setor, após impactos associados à guerra entre Rússia e Ucrânia, problemas climáticos que comprometeram safras, elevação dos juros e queda das cotações dos grãos. Os dados da Serasa Experian consideram pedidos de recuperação judicial de produtores rurais pessoas físicas e de empresas agrícolas. Entre as empresas rurais, foram registrados 196 pedidos no primeiro trimestre, alta de 73,5% ante igual período de 2025.

Já os produtores pessoas físicas apresentaram 182 pedidos, queda de 6,7% na comparação anual. As empresas ligadas ao agronegócio, como lojas de insumos, contabilizaram 96 pedidos, aumento de 18,5%. O perfil dos processos ainda apresenta predominância de grandes produtores, especialmente aqueles que utilizam o arrendamento de terras como estratégia de expansão, possuem elevada concentração da produção em soja e acumularam endividamento nas safras anteriores. Os dados mais recentes, contudo, indicam uma disseminação da dificuldade financeira para produtores de menor porte, com redução do valor médio das dívidas incluídas nos pedidos de recuperação judicial. A evolução dos processos ao longo do restante de 2026 dependerá da capacidade de geração de receita, do comportamento das margens e das condições para renegociação dos compromissos financeiros. Nesse cenário, a renegociação de dívidas e o planejamento financeiro permanecem como instrumentos prioritários para evitar o agravamento das dificuldades e a necessidade de recorrer à recuperação judicial. Fonte: O Globo. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.