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13/Aug/2026

Recuperação judicial deverá perder força no Agro

O avanço dos pedidos de recuperação judicial (RJ) no agronegócio é considerado um movimento ineficiente e de alto custo e tende a perder força com o aumento do rigor nas regras de concessão do mecanismo. A avaliação é de que a utilização excessiva da recuperação judicial eleva o custo do crédito para todo o setor e penaliza produtores que mantêm seus compromissos financeiros em dia. O aumento das recuperações judiciais afeta diretamente a formação das taxas de financiamento agrícola. Ao avaliar a concessão de crédito, os credores incorporam as perdas decorrentes de operações problemáticas às margens cobradas dos demais tomadores.

Dessa forma, produtores adimplentes acabam absorvendo parte do custo associado à inadimplência de outros agentes. A aplicação mais rigorosa do Provimento 216 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que exige maior controle cadastral e comprovação documental nos pedidos de recuperação judicial, tende a reduzir solicitações consideradas oportunistas. Em regiões como Mato Grosso, onde o movimento ganhou força anteriormente, a experiência de produtores que recorreram ao mecanismo e posteriormente enfrentaram perda de áreas e restrições de acesso ao mercado também contribui para reduzir a atratividade da RJ. A recuperação judicial não resolve as causas estruturais dos problemas financeiros dos produtores e, por isso, tende a perder espaço como instrumento de reestruturação.

No balanço dos bancos, as recuperações judiciais representam cerca de 20% dos problemas de inadimplência no agronegócio, enquanto os 80% restantes estão relacionados a atrasos conjunturais e renegociações realizadas diretamente com os credores. Também há preocupação com a expectativa de anistia ou perdão de dívidas por parte do governo. A manutenção dessa expectativa por longos períodos pode estimular o adiamento de pagamentos e agravar a situação financeira dos produtores, aumentando o risco de protestos e execuções enquanto aguardam uma solução que não necessariamente será implementada. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.