13/Aug/2026
A agtech Farmtech, em um cenário de juros elevados, margens comprimidas e maior cautela no financiamento agrícola, projeta desembolsar entre R$ 7 bilhões e R$ 8 bilhões em crédito para a safra 2026/27, em linha com o volume disponibilizado no ciclo 2025/26. Desse total, R$ 1 bilhão devem ser destinados a linhas dolarizadas. A recuperação mais consistente do crédito rural deverá ocorrer somente na próxima safra, enquanto o atual ciclo será marcado pela contenção de custos, equacionamento de dívidas e preservação da capacidade financeira dos produtores. O ambiente de negócios reflete um ajuste cíclico do setor combinado ao peso dos passivos financeiros acumulados entre 2021 e 2022, período de preços elevados das commodities e maior expansão do crédito.
A manutenção da taxa de juros brasileira em níveis elevados aumenta o custo financeiro e exige maior austeridade dos produtores. A perspectiva é de que aqueles que conseguirem atravessar o atual ciclo com o endividamento mais equilibrado encontrem condições mais favoráveis na safra seguinte, com margens mais ajustadas e menor pressão financeira. Apesar do aperto no curto prazo, a competitividade do produtor brasileiro permanece sólida. Para reduzir os efeitos do custo financeiro, a Farmtech e a divisão agrícola da Bayer renovaram por três anos a parceria Crop Credit, programa de financiamento de insumos. A nova etapa prevê a criação de fundos exclusivos para revendas e distribuidores, com a meta de superar R$ 1 bilhão em financiamentos ainda em 2026 e alcançar R$ 2 bilhões até maio de 2027. Atualmente, cerca de R$ 300 milhões em operações já estão comprometidos.
O programa também passou a oferecer linhas exclusivas em dólar para produtores e distribuidores com receitas atreladas à moeda norte-americana. A modalidade permite reduzir substancialmente o custo dos juros em um ambiente de crédito em reais mais caro e restrito, atendendo à demanda por alternativas de financiamento de custeio com menor despesa financeira. A busca por soluções de crédito mais competitivas acompanha o movimento dos próprios produtores, que vêm readequando os investimentos e adotando medidas para reduzir custos na nova temporada. A combinação entre juros elevados, margens mais apertadas e necessidade de recomposição financeira tende, assim, a limitar a expansão do crédito no ciclo 2026/27, com perspectiva de recuperação mais significativa apenas na safra seguinte. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.