13/Aug/2026
Angola identifica potencial de US$ 1,4 bilhão para investimentos no agronegócio e busca ampliar a participação de empresas brasileiras no setor, com o objetivo de utilizar o país como plataforma de acesso ao mercado africano. O governo angolano considera o país preparado para receber novos investimentos, mas enfrenta questionamentos de produtores brasileiros relacionados ao regime de propriedade das terras e às condições para obtenção de crédito. Em Angola, as terras pertencem ao Estado e são concedidas aos agricultores e à iniciativa privada. Esse modelo é apontado por produtores brasileiros como fonte de insegurança jurídica e fator que dificulta o uso da terra como garantia em operações de financiamento.
A questão foi levantada durante o Fórum do Agronegócio Angola-Brasil, organizado pelo grupo empresarial Lide, a partir da discussão sobre as condições de financiamento da produção rural no país. No Brasil, o financiamento do agronegócio conta com linhas de crédito com juros subsidiados pelo governo, enquanto os produtores utilizam atualmente a própria produção como uma das principais garantias das operações. Historicamente, a terra também desempenhava esse papel. Em Angola, a impossibilidade de propriedade privada da terra modifica a estrutura de garantias disponível para os investidores. O governo angolano ressalta que já existem precedentes de participação brasileira no setor.
Em acordo bilateral firmado durante visita do então ministro da Agricultura e Pecuária do Brasil, Carlos Fávaro, Angola destinou terras para a produção de empresas brasileiras, reforçando a estratégia de atração de capital estrangeiro para a atividade agropecuária. A avaliação sobre a segurança jurídica das concessões, contudo, não é uniforme. O Lide Global considera que a legislação atual deixou de representar um impedimento relevante aos investimentos. Segundo essa avaliação, a regulamentação vigente permite projetos de exploração agrícola com prazo de 60 anos, renováveis por mais 60 anos, oferecendo maior previsibilidade aos investidores. O Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA) também considera que a propriedade estatal das terras não constitui o principal obstáculo ao financiamento agrícola.
A principal barreira é a baixa bancarização dos produtores, mas há forte interesse dos bancos em ampliar o crédito ao setor. Atualmente, 6% da carteira de concessão de crédito do BDA está direcionada à agricultura, com meta de elevar essa participação para 15%. Apesar do potencial identificado, o acesso ao crédito permanece entre as principais dificuldades apontadas pelos produtores locais. A ampliação da bancarização e a estruturação de garantias compatíveis com o regime fundiário angolano serão fatores relevantes para transformar o interesse de investidores em projetos produtivos de maior escala. Angola também busca ampliar a produção de proteína animal. O governo estima espaço para uma produção de, no mínimo, 180 milhões de toneladas de frango, em um mercado que atualmente importa cerca de 600 milhões de toneladas.
A estratégia prevê a consolidação inicial de parte dessa capacidade por empresários com projetos bem-sucedidos, com expectativa de que a expansão atraia novos investidores. O interesse brasileiro ocorre em um contexto de forte demanda por investimentos e geração de empregos em Angola. A necessidade de ampliar oportunidades para uma população jovem aumenta a pressão por projetos capazes de acelerar a atividade econômica e a criação de postos de trabalho. Nesse ambiente, o agronegócio é considerado uma das principais frentes para diversificação econômica e redução da dependência de importações de alimentos. Durante o Fórum do Agronegócio Angola-Brasil, realizado após reuniões entre empresários brasileiros e representantes do governo angolano, a Câmara de Comércio Angola Brasil e o Lide Angola assinaram um memorando de entendimentos para ampliar a atração de investimentos brasileiros para o país. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.