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13/Aug/2026

Competitividade da China desafia crescimento da UE

O superávit comercial contribuiu positivamente para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da União Europeia, mas esse impulso perdeu força nas últimas décadas. Entre 2026 e 2028, o saldo externo tende a passar a exercer efeito negativo sobre a atividade econômica, diante da intensificação da competição da China tanto no mercado europeu quanto em países terceiros. Pela primeira vez em 30 anos de dados, o superávit comercial da China com a União Europeia superou o registrado com os Estados Unidos. O superávit comercial global chinês também avançou e alcançou US$ 1,2 trilhão, equivalente a 0,9% do PIB mundial. A crescente competitividade da China reflete, em parte, a vantagem de preços. A taxa de câmbio bilateral em relação à zona do euro se depreciou cerca de um quinto desde 2019, enquanto os preços ao produtor na China permaneceram estáveis ou recuaram.

No mesmo período, o choque de energia de 2022 elevou os custos de produção na Europa. A expansão das exportações chinesas, contudo, também está relacionada a ganhos relevantes de competitividade, e não apenas aos preços dos produtos. Os exportadores chineses avançaram rapidamente em novas categorias, como tecnologia verde e bens relacionados à inteligência artificial (IA), ampliando a sobreposição com a pauta de exportações europeia e reduzindo ou eliminando diferenças de qualidade em relação aos concorrentes do bloco. Paralelamente, a China tornou-se menos dependente de importações provenientes da Europa e de outras regiões.

Desde a pandemia, o crescimento econômico chinês também passou a depender mais da demanda externa, em um cenário de desaceleração do consumo doméstico e dos investimentos. Como esses fatores dificilmente deverão ser revertidos no curto prazo, as autoridades europeias ampliaram a preocupação com os riscos para a base industrial e demonstram disposição crescente para adotar medidas comerciais. Ainda assim, a expectativa é de que essas iniciativas tenham impacto limitado sobre os padrões de comércio no curto e médio prazos. Mantidas as demais condições, a zona do euro tende a depender cada vez mais da demanda interna para sustentar o crescimento econômico, reduzindo a contribuição positiva que o setor externo proporcionou no passado. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.