12/Aug/2026
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o El Niño e as mudanças climáticas representam riscos relevantes para o comportamento futuro dos preços dos alimentos no Brasil, mas ainda não é possível quantificar seus efeitos sobre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O fenômeno altera os padrões de chuva e temperatura e pode comprometer a produção agrícola conforme a distribuição regional de excesso de precipitações ou de períodos de seca. O impacto sobre a inflação dependerá da evolução das condições climáticas e de seus efeitos sobre as lavouras. Alterações nos padrões de chuva e temperatura podem afetar a produção e, consequentemente, a oferta de produtos agropecuários, com reflexos potenciais sobre os preços ao consumidor.
Nesse contexto, o acompanhamento da evolução do fenômeno será determinante para avaliar a trajetória dos alimentos nos próximos meses. Episódios anteriores mostram que o El Niño pode produzir efeitos sobre diferentes componentes da alimentação. Em 2024, durante outro episódio do fenômeno, foram observados reflexos sobre os preços de alimentos, incluindo café e carnes em determinados períodos. Para o ciclo atual, a expectativa é de ocorrência de um El Niño forte, o que amplia a necessidade de monitoramento das condições de chuva e temperatura e de seus impactos sobre a produção agrícola. Ainda não é possível determinar se o atual movimento de alívio observado em parte dos alimentos será mantido ou poderá ser revertido em função das condições climáticas. Em julho de 2026, o grupo Alimentação e Bebidas registrou queda de 0,67%, contribuindo para o IPCA de 0,07% no mês.
Com o resultado, a inflação acumulada em 12 meses voltou a ficar abaixo do teto da meta, após permanecer dois meses acima desse limite. O comportamento do grupo foi determinado principalmente pela alimentação no domicílio, que recuou 1,14% em julho. Em sentido contrário, a alimentação fora do domicílio acelerou de 0,15% em junho para 0,55% em julho. O cenário para os preços dos alimentos, portanto, permanece condicionado à combinação entre oferta agrícola, condições climáticas e evolução dos custos ao longo da cadeia. A intensidade e a distribuição dos efeitos do El Niño sobre as diferentes regiões produtoras serão fatores relevantes para determinar eventuais impactos sobre a inflação nos próximos meses. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.