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12/Aug/2026

El Niño: alerta para eventos severos na Região Sul

Segundo a MetSul, o período de maior risco para a ocorrência de tornados na Região Sul do Brasil ainda deve ocorrer nos próximos meses, com a aproximação da primavera e a permanência de condições atmosféricas favoráveis à formação de tempestades severas. A avaliação considera o cenário meteorológico previsto para o segundo semestre de 2026 e ocorre após três episódios recentes de tornados registrados no Rio Grande do Sul e no Paraná em menos de duas semanas. As áreas com maior propensão à ocorrência de tornados no Brasil abrangem principalmente Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, além de parte do interior de São Paulo e do sul de Mato Grosso do Sul. A Região Sul do País, contudo, concentra as condições meteorológicas mais favoráveis para a formação desse tipo de fenômeno. O Rio Grande do Sul está inserido em uma das regiões meteorologicamente mais favoráveis do planeta à ocorrência de tornados.

A área que engloba Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina, além do Uruguai, norte da Argentina e Paraguai, é classificada por pesquisadores como o ‘Corredor de Tornados’ da América do Sul. A região reúne características atmosféricas semelhantes às encontradas nas Grandes Planícies dos Estados Unidos, onde está localizada a chamada Alameda dos Tornados. No corredor norte-americano, a ocorrência de tornados está associada, entre outros fatores, ao encontro do ar quente e úmido proveniente do Golfo do México com o ar frio das Montanhas Rochosas. No Sul da América do Sul, a combinação de diferentes massas de ar, umidade, calor, instabilidade e vento também cria condições favoráveis à formação de tempestades organizadas e, em determinados cenários, de tornados. Os três episódios registrados recentemente reforçam a necessidade de atenção para a evolução das condições atmosféricas. No sábado, 8 de agosto, um tornado atingiu a área rural de Piraí do Sul, nos Campos Gerais do Paraná.

Conforme a Defesa Civil estadual, 20 residências foram afetadas e pelo menos 20 pessoas ficaram desalojadas. Em 6 de agosto, um tornado atingiu Pedro Osório, no Rio Grande do Sul. Segundo o Centro de Monitoramento da Defesa Civil do Estado, o fenômeno foi associado a uma supercélula, tempestade caracterizada por rotação, e atingiu a região de Matarazzo, provocando destelhamentos. Em 28 de julho, outro tornado havia atingido os municípios de Giruá, Senador Salgado Filho e Sete de Setembro, todos no Rio Grande do Sul. A ocorrência dos eventos recentes não significa, necessariamente, que uma sequência de tornados continuará atingindo a região. Tornados são fenômenos altamente localizados e não podem ser previstos com precisão com muitos dias ou semanas de antecedência. A avaliação meteorológica concentra-se, portanto, nas condições ambientais que favorecem tempestades severas e na evolução dos principais sistemas atmosféricos.

Entre os fatores de atenção está o El Niño, que podem favorecer uma maior frequência de eventos de tempo severo no Sul do Brasil. O fenômeno não provoca tornados diretamente, mas altera padrões de circulação atmosférica e pode contribuir para combinações de calor, umidade, instabilidade e vento que elevam o risco de tempestades severas. A tendência é de intensificação do El Niño no segundo semestre de 2026, com possibilidade de atingir intensidade muito forte entre a primavera e o início do verão, conforme o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O fenômeno é provocado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico e altera a circulação atmosférica em diferentes regiões do planeta. A probabilidade de o El Niño permanecer ativo pelo menos até o início de 2027 é de 100%. No Brasil, a Região Sul historicamente está entre as regiões mais afetadas pelo fenômeno, com maior frequência de chuvas acima da média, temporais, cheias, enchentes, alagamentos e deslizamentos.

Embora o inverno também possa produzir tempestades de elevada intensidade, a aproximação da primavera tende a aumentar a disponibilidade de calor e umidade na atmosfera. Setembro, outubro e novembro representam, nesse contexto, um período de maior atenção para a ocorrência de tempestades severas no Sul do País. A combinação de calor e umidade funciona como fonte de energia para o desenvolvimento de tempestades. Quando essas condições se associam à passagem de frentes frias, à atuação de áreas de baixa pressão, à presença de jatos de baixos níveis e a forte cisalhamento do vento, aumenta o potencial de formação de tempestades altamente organizadas. O cenário meteorológico para os próximos meses, portanto, exige monitoramento contínuo das condições atmosféricas no Sul do Brasil. A intensificação do El Niño, a maior disponibilidade de calor e umidade durante a primavera e a combinação com sistemas capazes de gerar instabilidade ampliam o potencial para eventos severos, embora não permitam antecipar com precisão a ocorrência ou a localização de tornados específicos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.