12/Aug/2026
O JPMorgan rebaixou a recomendação para o Brasil de overweight, equivalente a exposição acima da média do mercado, para neutro, diante da avaliação de que o ciclo de flexibilização monetária está próximo do fim, enquanto o crescimento econômico desacelera e o ciclo de crédito apresenta deterioração. O banco norte-americano projeta corte de 0,25% da Selic em setembro, seguido por uma longa pausa até o segundo trimestre de 2027. A avaliação considera a combinação de juros reais elevados, desaceleração da atividade econômica e piora das condições de crédito.
Do ponto de vista técnico, os ativos brasileiros normalmente apresentam desempenho inferior nos seis meses que antecedem as eleições. Embora esse comportamento não tenha ocorrido em julho, quando o Ibovespa avançou 3,47% e o dólar recuou 1,92% ante o Real, o mercado brasileiro vem apresentando queda em agosto e a tendência deve persistir à medida que a volatilidade aumente com a aproximação das eleições. Os preços dos ativos brasileiros permanecem relativamente estáveis e ainda há pouco prêmio eleitoral incorporado às cotações. Tanto o mercado acionário quanto o Real apresentam estabilidade desde maio, o que indica que os investidores ainda não precificaram de forma relevante os riscos associados ao processo eleitoral.
Para o JPMorgan, o cenário político permanece incerto, considerando que o vencedor das eleições de outubro terá de lidar com juros reais elevados e déficit fiscal. Nesse ambiente, a instituição opta por uma postura mais cautelosa em relação aos ativos brasileiros antes de um possível aumento da volatilidade. O preço-alvo do Ibovespa para o fim de 2026 foi reduzido de 190 mil para 185 mil pontos, nível que representa potencial de alta de 7,45% em relação ao fechamento do índice em 10 de agosto. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.