12/Aug/2026
Segundo estimativa do Triodos Bank, o calor extremo e prolongado durante o verão europeu poderá reduzir em 1% o Produto Interno Bruto (PIB) da União Europeia em 2026. O impacto econômico corresponde a cerca de € 180 bilhões, valor equivalente ao crescimento econômico esperado para o bloco no ano. O efeito sobre a economia europeia ocorre por diferentes canais, com destaque para a redução da produtividade do trabalho, os impactos sobre a produção agrícola e leiteira e a transmissão das perdas de oferta para os preços dos alimentos. Apenas a combinação entre menor produção agropecuária e os efeitos sobre os preços dos alimentos deverá representar impacto de aproximadamente 0,15 ponto porcentual no PIB da União Europeia. O calor extremo tende a afetar de forma mais intensa a produtividade dos trabalhadores em setores expostos diretamente às altas temperaturas e em países com menor adaptação ao calor ou menor penetração de sistemas de ar-condicionado.
A produtividade tende a cair de forma significativa quando as temperaturas ultrapassam um intervalo de aproximadamente 25°C a 30°C, com maior impacto sobre atividades fisicamente exigentes, realizadas ao ar livre ou em ambientes sem climatização. O deslocamento até o local de trabalho também representa um fator adicional de perda de produtividade. As temperaturas elevadas podem prejudicar o funcionamento cognitivo e aumentar o absenteísmo, reduzindo a quantidade de trabalhadores que conseguem chegar ao trabalho em períodos de calor extremo. Uma análise comparativa de dados de diversos países realizada pela Allianz estima perda de aproximadamente 3% da produção por hora trabalhada para cada grau Celsius acima de 30°C quando as temperaturas permanecem nesse patamar por vários dias. O impacto médio estimado para a União Europeia, entretanto, esconde diferenças significativas entre os países.
A França deverá registrar o maior impacto econômico em 2026, em razão da menor adaptação da força de trabalho e da infraestrutura às temperaturas elevadas, além de uma penetração de ar-condicionado abaixo da média. Para a França, o calor extremo poderá reduzir em 1,4% o crescimento do PIB. Considerando que a previsão de crescimento econômico do país já era baixa, o impacto climático poderá resultar em contração de aproximadamente 0,6% do PIB em 2026 ante 2025. A Polônia, por outro lado, deverá apresentar maior resistência aos efeitos econômicos do calor extremo. A previsão considera apenas alguns dias quentes adicionais em relação ao padrão normal, permitindo que o país ainda registre crescimento econômico de aproximadamente 2,9% em 2026. No setor agropecuário, o calor e a seca já provocaram revisões negativas nas previsões de produção agrícola e leiteira da União Europeia para 2026. A menor oferta tende a afetar a produção econômica diretamente e pode provocar transmissão dos custos para os preços dos alimentos, ampliando os efeitos sobre a atividade econômica e o consumo.
O cenário reforça que os impactos econômicos das mudanças climáticas já se manifestam no curto prazo, por meio de perdas de produtividade, redução da produção agropecuária, restrições no uso da água e interrupções na atividade econômica. A ocorrência simultânea de ondas de calor, secas, incêndios e redução da disponibilidade hídrica aumenta a exposição da infraestrutura e de setores intensivos em recursos naturais. A magnitude dos efeitos sobre o PIB europeu em 2026 dependerá da duração e da intensidade dos episódios de calor, da disponibilidade de água e da capacidade de adaptação de trabalhadores, empresas e infraestrutura. Países com menor aclimatação da população e menor disponibilidade de climatização tendem a apresentar impactos mais elevados, enquanto maior adaptação e infraestrutura preparada podem limitar as perdas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.