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11/Aug/2026

Dólar avança com impasse no Estreito de Ormuz

O dólar acelerou a alta nesta segunda-feira (10/08), em meio à piora da aversão ao risco no exterior e a eventuais ajustes para realização de lucros após dois pregões consecutivos de queda firme ante o Real. A moeda norte-americana atingiu a máxima de R$ 5,12 e encerrou a sessão a R$ 5,11, alta de 0,53%, acumulando valorização de 0,79% em agosto. O dólar avançou ante a maioria das moedas fortes e emergentes, em movimento acompanhado pela forte alta do petróleo diante do impasse nas negociações para a reabertura do Estreito de Ormuz. O contrato do WTI para setembro, referência para os preços nos Estados Unidos, subiu 5,05%, para US$ 82,13 por barril, enquanto o Brent para outubro avançou 4,99%, para US$ 87,72 por barril.

O Real apresentou desempenho inferior ao de seus pares, refletindo maior sensibilidade da taxa de câmbio ao ambiente político doméstico e às incertezas sobre a extensão do ciclo de ajuste da taxa Selic. O mercado também avaliou as perspectivas para a política monetária às vésperas da divulgação da ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), que reduziu a taxa básica de juros de 14,25% para 14%, e do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho. A aversão ao risco também se sobrepôs ao efeito potencialmente favorável das cotações mais elevadas do petróleo sobre os termos de troca do Brasil. A volatilidade dos preços da commodity reduz a visibilidade econômica em um momento de preocupação com eventual aperto monetário nos Estados Unidos.

Nesse ambiente, aumenta a demanda por proteção na moeda norte-americana, enquanto o Real permanece mais suscetível à volatilidade em razão das incertezas relacionadas ao cenário eleitoral e à trajetória das contas públicas a partir de 2027. O índice DXY, que mede o comportamento do dólar ante uma cesta de seis moedas fortes, renovou a máxima, aos 99,829 pontos. O movimento ocorreu após a presidente do Federal Reserve (Fed) de Cleveland, Beth Hammack, reforçar a posição favorável a um aperto monetário imediato, defendida na última reunião do Federal Reserve. A avaliação é de que uma elevação de 25 pontos-base poderia ser insuficiente para produzir efeitos relevantes sobre a economia.

A destruição de vagas na economia norte-americana registrada no payroll de julho, divulgado na sexta-feira (07/08), deslocou as expectativas predominantes de uma elevação dos juros pelo Federal Reserve de setembro para outubro. Após os dados do mercado de trabalho, a atenção dos investidores se concentra na inflação, com a divulgação do índice de preços ao consumidor (CPI) de julho prevista para quarta-feira, 12 de agosto. O CPI é considerado determinante para as expectativas em relação aos próximos passos do Federal Reserve.

Uma inflação acima das projeções pode alterar novamente as apostas do mercado e recolocar setembro como possibilidade para uma alta dos juros. Por outro lado, projeções de inflação mais moderada tendem a reforçar a expectativa de uma postura menos restritiva da política monetária norte-americana. O ING projeta alta de 0,1% do CPI em julho, abaixo do consenso de 0,2%, e avalia que os dados podem reforçar a expectativa de uma política monetária menos restritiva pelo Federal Reserve, contribuindo para limitar o potencial de valorização do dólar. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.