11/Aug/2026
Os desembolsos de crédito rural recuaram de forma acentuada no primeiro mês da safra 2026/27, mesmo com a redução das taxas de juros das principais linhas destinadas a pequenos, médios e grandes produtores. As liberações somaram R$ 12,7 bilhões em julho, queda de 55,1% ante os R$ 28,3 bilhões registrados em igual mês da safra 2025/26. A retração ocorreu em todas as modalidades de financiamento e foi influenciada pela demora na publicação das regras de equalização das operações pelo Tesouro Nacional e pelo ambiente mais restritivo nas instituições financeiras. As operações de custeio apresentaram a maior redução, com desembolsos de R$ 9,2 bilhões em julho, ante R$ 19,9 bilhões um ano antes, queda de 53,8%. As linhas de investimento recuaram de R$ 4,1 bilhões para menos de R$ 1 bilhão.
Os financiamentos para comercialização diminuíram de R$ 1,8 bilhão para R$ 1,4 bilhão, enquanto as operações de industrialização passaram de R$ 2,3 bilhões para R$ 1,1 bilhão. O número de contratos também apresentou forte retração, de 179,2 mil no primeiro mês da safra 2025/26 para 77,2 mil em julho de 2026. Os dados foram extraídos do sistema do Banco Central em 3 de agosto e são parciais, podendo sofrer alterações conforme a data de consulta. As estatísticas não incluem operações contratadas que ainda não tiveram desembolso nem contratações de Cédulas de Produto Rural (CPRs). Como ocorre normalmente no início da safra, os recursos controlados concentraram a maior parte dos desembolsos. Cerca de R$ 9,1 bilhões foram liberados em julho por meio de linhas abastecidas com recursos de depósitos à vista e fundos constitucionais, que não contam com equalização, além de poupança rural e Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs) equalizadas.
Outros R$ 3,5 bilhões tiveram origem em fontes não controladas e operações com juros livres. A publicação apenas em 23 de julho da portaria que autorizou o pagamento da equalização contribuiu para limitar os desembolsos dessas linhas. A retração das contratações de financiamento rural já ocorre desde o Plano Safra 2023/24, mas não impediu a expansão da produção agropecuária, que passou a contar em maior medida com instrumentos privados de mercado. O cenário atual, contudo, amplia o desafio de equacionar o endividamento dos produtores para garantir acesso a recursos tanto no sistema bancário quanto junto às empresas do setor. O risco climático também aumenta a preocupação com o financiamento da safra 2026/27.
A perspectiva de um El Niño mais forte, combinada ao custo de capital ainda elevado, ao endividamento dos produtores e à baixa penetração do seguro rural, com recursos limitados para subvenção, amplia a exposição do setor aos riscos de produção. A maior cautela das instituições financeiras também está relacionada ao nível de endividamento dos produtores e às perspectivas climáticas. Nesse ambiente, a contratação de crédito exige maior capacidade de avaliação da rentabilidade das operações, diante do custo elevado do financiamento e da necessidade de assegurar que a receita esperada seja suficiente para cobrir as despesas e o serviço da dívida. A ausência de recursos orçamentários para o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) na safra 2026/27 também pode desestimular parte dos produtores a ampliar os investimentos.
A expectativa é de que não haja retração da área cultivada, mas de redução no uso de fertilizantes e na intensidade de outros tratos culturais, como estratégia para limitar os custos diante das perspectivas menos favoráveis para os preços das commodities. Outro fator que poderá influenciar a disponibilidade de crédito é o andamento das renegociações de dívidas autorizadas pela Medida Provisória 1.376/2026. As operações ainda apresentam baixa adesão e serão contabilizadas no Plano Safra 2026/27. A efetivação dessas renegociações poderá liberar espaço para novas contratações de crédito pelos produtores ao longo da temporada. Fonte: Globo Rural. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.