11/Aug/2026
Segundo a Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), o calendário agrícola, isoladamente, já não é suficiente para orientar a adaptação dos produtores aos riscos climáticos, exigindo maior utilização de dados na tomada de decisões relacionadas ao plantio, crédito e seguro. O Brasil já dispõe de bases de informações climáticas e agrícolas que podem ser utilizadas para antecipar riscos. O principal desafio é transformar esses dados em instrumentos efetivos de decisão para produtores rurais, seguradoras e instituições financiadoras. A necessidade de adaptação aumenta à medida que as mudanças no clima alteram as condições tradicionais de produção e reduzem a capacidade de utilizar apenas dados históricos para definir o momento adequado de plantio.
Nesse contexto, os seguros paramétricos podem ganhar espaço como alternativa de proteção. Nesse modelo, a indenização é acionada quando um indicador previamente estabelecido, como volume de chuvas ou temperatura, atinge determinado patamar, sem depender exclusivamente da avaliação das perdas em cada propriedade. A utilização de parâmetros objetivos pode acelerar o pagamento das indenizações e reduzir riscos de fraude. O governo federal já avalia o seguro paramétrico entre as alternativas para modernização do modelo de seguro rural. Em discussões interministeriais envolvendo o Ministério da Fazenda, a modalidade foi incluída entre os instrumentos em análise para ampliar o acesso dos produtores à proteção diante do aumento dos riscos climáticos.
O avanço de novos produtos, contudo, depende de maior segurança regulatória e jurídica. A consolidação de regras mais previsíveis é considerada necessária para permitir que seguradoras desenvolvam novos produtos e que produtores tenham maior acesso às ferramentas de proteção. A previsibilidade também é considerada importante na política pública de seguro rural, permitindo que produtores e seguradoras planejem com antecedência a cobertura contra riscos climáticos. A ampliação do uso de informações meteorológicas e agrícolas, associada ao desenvolvimento de instrumentos como o seguro paramétrico, tende a aumentar a capacidade de adaptação do setor às mudanças nas condições de produção. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.