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11/Aug/2026

Agronegócio precisa de políticas de longo prazo

Segundo a Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), a agroindústria brasileira precisa de políticas de Estado de longo prazo, com regras previsíveis e continuidade independentemente das mudanças de governo. A entidade divulgou a Agenda Estratégica da Agroindústria Brasileira, documento com propostas para o desenvolvimento do setor, entregue aos candidatos à Presidência da República e aos candidatos a governador nas eleições de 2026. A agenda foi elaborada a partir de um processo que envolveu mais de 80 empresas e entidades integrantes da Abag. Os participantes foram entrevistados por uma empresa especializada para identificar as principais preocupações do setor nos horizontes de curto, médio e longo prazo. Posteriormente, a associação organizou e cruzou mais de 80 fatores, avaliando prioridades e sua dimensão temporal, até estruturar o documento em sete grandes eixos. A proposta é estabelecer uma visão de Estado e de nação, com diretrizes de longo prazo capazes de orientar a atuação integrada e contínua da sociedade brasileira.

Em relação aos candidatos, a expectativa da entidade é que haja não apenas incorporação imediata das propostas, mas principalmente compreensão da importância estratégica do agronegócio e da agroindústria para a economia brasileira. Segundo a associação, os dois segmentos representam entre 25% e 30% do Produto Interno Bruto (PIB) e, por isso, devem ser tratados como prioridade nacional. A defesa de políticas de longo prazo enfrenta, contudo, o histórico de medidas de duração mais curta adotadas pelos governos, incluindo políticas de financiamento relacionadas ao Plano Safra. Nesse cenário, a construção de uma estratégia nacional deve ultrapassar os ciclos eleitorais e permitir o planejamento de investimentos e projetos estruturantes para horizontes de décadas. A entidade também defende maior valorização do empreendedorismo e menor dependência de políticas assistenciais, sem desconsiderar situações em que a atuação do Estado seja necessária. A avaliação é de que ações de Estado e iniciativas empresariais possuem funções distintas no desenvolvimento econômico.

O setor privado deve atuar em ambiente de competição, enquanto o governo precisa intervir quando condições econômicas ou eventos extraordinários inviabilizam a atuação empresarial. Entre os exemplos citados estão o ambiente de juros elevados e as catástrofes climáticas. Com a taxa básica de juros em patamar elevado, investimentos privados podem se tornar inviáveis. Em situações como as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul, não seria adequado transferir toda a responsabilidade para o mercado, diante dos impactos sobre a estrutura econômica e social. A necessidade de planejamento de longo prazo também se aplica aos projetos de infraestrutura e aos investimentos de grande porte, que exigem horizontes de décadas. Como exemplo, foram citados investimentos ferroviários realizados no Centro-Oeste, incluindo projetos da Rumo em Mato Grosso e da Sonda em Mato Grosso do Sul. Nesse contexto, regras estáveis, segurança jurídica e instituições confiáveis são consideradas condições necessárias para estimular investimentos privados de longo prazo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.