11/Aug/2026
O Brasil registrou, entre agosto de 2025 e julho de 2026, a menor área sob alerta de desmatamento na Amazônia em dez anos, desde o início da série histórica, em 2016. Segundo dados do Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), uma área de 2.874,38 Km² esteve sob alerta de desmate no período, representando redução de 36,87% em relação ao ciclo anterior. No Cerrado, também houve redução dos alertas de desmatamento, porém em proporção menor. A área sob alerta totalizou 5.119,46 km², queda de 7,8% ante o período anterior. Os dados do Deter antecipam o ciclo anual de monitoramento realizado pelo Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes), cuja divulgação ocorre em novembro. Historicamente, os resultados do Prodes acompanham a tendência observada pelo Deter, embora os sistemas tenham finalidades e metodologias distintas. O Prodes utiliza satélites de maior resolução e busca consolidar o balanço anual do desmatamento, enquanto o Deter é voltado à fiscalização e à emissão de alertas diários.
A cobertura de nuvens, frequente na região amazônica, pode prejudicar a análise realizada pelo Deter. O menor índice da série histórica também está relacionado à evolução da metodologia de monitoramento. O sistema antigo utilizava o sensor MODIS, capaz de identificar desmatamentos superiores a 25 hectares, equivalentes a 0,25 km². A metodologia atual, denominada Deter-B, passou a detectar áreas desmatadas a partir de 1 hectare. No bioma Amazônia, Mato Grosso apresentou a maior redução da área sob alerta, de 49%, seguido pelo Amazonas, com queda de 46,7%, e por Rondônia, com recuo de 41,2%. Em sentido contrário, Roraima registrou aumento de 32,5% na área sob alerta. No Cerrado, o Piauí apresentou a maior redução, de 51,2%, seguido pela Bahia, com queda de 27%. Minas Gerais registrou o aumento mais expressivo no bioma, de 72,5%. A redução dos alertas ocorre no contexto da meta do Governo Federal de alcançar desmatamento zero até 2030, compromisso assumido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a campanha eleitoral de 2022.
A evolução dos indicadores reforça a possibilidade de avanço em direção à meta, condicionada à manutenção das ações de fiscalização, controle e destinação de recursos para combate ao desmatamento. O Observatório do Clima avaliou positivamente os resultados e considerou que a redução dos alertas evidencia avanços no controle da destruição da floresta tropical. Segundo cálculos do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), a redução do desmatamento evitou o lançamento de 2,238 bilhões de toneladas de CO2 equivalente (GtCO2e) na atmosfera, volume correspondente ao total bruto de emissões do Brasil em um ano. Os resultados dos últimos quatro anos colocam o Brasil entre os países que mais reduziram emissões no mundo no período. O Observatório do Clima também considera que a manutenção da trajetória de queda do desmatamento dependerá de mudanças no ambiente legislativo e do equacionamento de medidas e prioridades dentro do próprio Governo Federal. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.