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11/Aug/2026

França-Reino Unido se preparam para onda de calor

França e Reino Unido se preparam para a quinta onda de calor da temporada, prolongando um período de temperaturas extremas que, desde maio, tem provocado sucessivos recordes térmicos na Europa. A agência nacional Météo-France prevê temperaturas próximas de 40°C a partir desta terça-feira (11/08) no sudeste da França. No Reino Unido, um alerta âmbar de risco à saúde relacionado ao calor para a maior parte da Inglaterra entra em vigor nesta terça-feira (11/08), com previsão de máxima de 36°C no fim desta semana. Em toda a Europa, o calor extremo iniciado em maio tem contribuído para grandes incêndios florestais, seca prolongada e novos recordes nacionais de temperatura, além de milhares de mortes estimadas relacionadas às altas temperaturas. O cenário também aumenta os riscos para a agricultura, diante da combinação entre calor persistente, déficit hídrico e redução da umidade dos solos. Em escala global, 2026 é até o momento o terceiro ano mais quente da série histórica, atrás de 2024 e 2025.

Ainda há possibilidade de alteração desse ranking até o fim do ano. A combinação entre o aquecimento global provocado pela atividade humana e um El Niño de forte intensidade, caracterizado pelo aquecimento periódico de áreas do Oceano Pacífico com impactos sobre o clima de diversas regiões, aumenta a possibilidade de 2026 terminar como o ano mais quente já registrado. Em julho, a temperatura média da superfície do mar nos oceanos extrapolares, áreas livres de gelo marinho sazonal, atingiu o maior nível já registrado para o mês, segundo o serviço climático europeu Copernicus. O resultado foi influenciado, em parte, pelo avanço das condições de El Niño no Pacífico equatorial. A temperatura média alcançou 20,96°C, superando o recorde anterior de 20,89°C, registrado em 2023. Apesar do recorde nos oceanos extrapolares, a temperatura média global do ar na superfície em julho ficou em 16,90°C, fazendo do mês o segundo julho mais quente da série histórica, empatado com julho de 2024, conforme o Copernicus.

Na Europa Ocidental, entretanto, a temperatura média entre junho e julho atingiu o recorde de 21,62°C, superando a marca anterior, de 2022. A persistência de sistemas de alta pressão sobre a Europa Ocidental tem favorecido a retenção do calor na região e ampliado a seca. Com a redução da umidade dos solos, diminui a capacidade de resfriamento natural da superfície, facilitando o acúmulo de calor. O fenômeno reforça a relação entre mudanças climáticas, temperaturas extremas e condições de seca, com efeitos potencialmente cumulativos sobre o clima e a atividade agropecuária. Na França, os primeiros alertas de onda de calor da temporada foram emitidos em maio, quando mais da metade do país registrou novos recordes de temperatura para o mês. O calor se intensificou em junho, período em que foram contabilizadas pelo menos 5.700 mortes acima do normal, segundo a agência de saúde pública francesa. A Météo-France apontou 23 de junho como o dia mais quente já registrado no país, com temperaturas de até 44,3°C no sudoeste.

Outros dois episódios de onda de calor ocorreram em julho e contribuíram para o agravamento de um incêndio de grandes proporções no sudoeste francês. O episódio obrigou 220 mil pessoas a deixarem suas casas, em uma das maiores operações de evacuação da Europa desde a Segunda Guerra Mundial. No Reino Unido, as temperaturas ficaram mais amenas nesta segunda-feira, mas o país se prepara para a quinta onda de calor de um verão marcado por temperaturas elevadas e condições secas. Metade da Inglaterra e todo o País de Gales estão em situação de seca. O alerta de calor prevê impactos significativos sobre os serviços de saúde, incluindo aumento das mortes entre idosos e pessoas vulneráveis. As duas ondas de calor recordes registradas em maio e junho resultaram em mais de 2.800 mortes acima do normal associadas às temperaturas extremas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.