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10/Aug/2026

Agro debate influência externa em regras regulatórias

Pesquisa realizada pela Nexus a pedido da CropLife Brasil aponta divergência na percepção sobre a autonomia regulatória do agronegócio brasileiro. Entre representantes do Poder Executivo, 70% avaliam que regras estrangeiras influenciam as normas aplicadas ao setor no País. Entre representantes de empresas do agronegócio, esse percentual alcança 73%. Em sentido oposto, 82% dos senadores consultados consideram que o Estado brasileiro estabelece suas próprias regras para o setor agropecuário. A diferença de percepção é atribuída às distintas perspectivas dos grupos avaliados, com o setor produtivo concentrado nos impactos operacionais e o Legislativo observando questões mais amplas relacionadas às relações entre países e à formulação de políticas públicas.

No resultado consolidado da pesquisa, 48% dos entrevistados avaliam que regulações de outros países influenciam as normas nacionais, enquanto 36% consideram que o Brasil possui autonomia regulatória. Outros 16% não souberam responder ou não responderam. Entre os representantes da Câmara dos Deputados, 76% declararam não saber ou não responderam sobre a influência de regras internacionais na regulamentação do agronegócio brasileiro. A avaliação da CropLife Brasil é que existe reconhecimento sobre a relevância do País como potência agrícola, mas ainda há necessidade de maior conhecimento sobre especificidades regulatórias da agricultura tropical.

A aplicação direta de modelos regulatórios estrangeiros pode não considerar as características do agronegócio brasileiro, que possui diferentes ciclos produtivos, múltiplas safras e desafios relacionados à pressão de pragas em regiões como Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste. Entre os temas que frequentemente geram questionamentos internacionais estão o uso de defensivos agrícolas e as exigências relacionadas à preservação florestal. As discussões regulatórias devem considerar dados técnicos e características específicas da produção brasileira. A CropLife Brasil defende a modernização do marco regulatório com base científica como forma de ampliar a previsibilidade, a segurança jurídica e a capacidade de atração de investimentos para o País. A entidade também destaca o papel da agricultura brasileira na transição energética, especialmente por meio da produção de biocombustíveis e etanol.

A pesquisa ouviu 145 entrevistados em novembro de 2025, incluindo 85 deputados federais, 40 representantes do Poder Executivo, entre integrantes do Ministério da Agricultura, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Ministério do Meio Ambiente (MMA), Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), além de 30 jornalistas, 30 assessores legislativos, 30 representantes de empresas do agronegócio e 15 senadores. O levantamento utilizou ponderação estatística para equalização dos diferentes grupos participantes. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.