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10/Aug/2026

Amazônia enfrenta risco de degradação irreversível

O Brasil está entre os países mais afetados pelas mudanças climáticas, com perspectiva de aumento de desastres naturais e impactos relevantes sobre a agricultura nas próximas décadas. A Amazônia está entre as regiões mais ameaçadas e um eventual colapso da floresta poderá acelerar de forma significativa os problemas ambientais em escala global, em razão de sua importância para o equilíbrio climático e para o armazenamento de carbono. O cientista climático Paulo Artaxo, da Universidade de São Paulo (USP) e integrante do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) das Nações Unidas (ONU), avaliou que evitar um colapso do sistema climático global é fundamental e que o Brasil, por sua localização tropical, está particularmente exposto aos efeitos do aquecimento.

Dados climáticos consolidados ao longo de pelo menos uma década indicam que a Amazônia poderá atingir uma condição de colapso, caracterizada pela transformação da floresta em savana, quando a temperatura média global alcançar aumento de 4°C ou quando o desmatamento atingir 40% da área total da floresta. Mesmo com o cumprimento integral das metas de redução de gases de efeito estufa previstas no Acordo de Paris, cenário que atualmente está distante de ser alcançado, a temperatura média global poderia subir 2,8°C. O Acordo de Paris reúne quase 200 países em torno de metas para limitar o aquecimento global e reduzir os riscos de alterações climáticas severas. A temperatura média global já registra aumento de 1,4°C, enquanto a área desmatada da Amazônia equivale a 18% de seu território.

Esse cenário indica uma aproximação de um possível ponto de não retorno, estágio em que a degradação da floresta pode se tornar irreversível. Estudos científicos apontam que a combinação de desmatamento entre 20% e 25% da área total da floresta com o avanço do aquecimento global poderá provocar degradação irreversível antes de 2050. O processo tende a afetar principalmente áreas do sul e do leste da Amazônia, com transformação da cobertura vegetal em ambientes mais secos. O risco de colapso da floresta também tem implicações para o aquecimento global. A Amazônia funciona como um importante reservatório de carbono e, quando submetida ao desmatamento ou às queimadas, reduz sua capacidade de absorver dióxido de carbono (CO2) e passa a liberar gases de efeito estufa, contribuindo para acelerar o aquecimento do planeta.

A Floresta Amazônica armazena cerca de 120 bilhões de toneladas de carbono, volume equivalente a aproximadamente dez anos de queima de todos os combustíveis fósseis do planeta. Dessa forma, mesmo a eliminação do desmatamento não seria suficiente para evitar o risco de colapso caso continue o lançamento de gases de efeito estufa na atmosfera por meio da utilização de combustíveis fósseis. A avaliação também amplia o debate para os impactos econômicos e sociais das mudanças climáticas. O atual modelo econômico é considerado insustentável no longo prazo por estar associado ao aumento das desigualdades sociais e econômicas e à utilização intensiva dos recursos naturais para geração de lucro. Nesse contexto, a transição para um sistema econômico mais equilibrado e compatível com os limites ambientais do planeta é apontada como uma oportunidade para reduzir os riscos climáticos e preservar os ecossistemas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.