10/Aug/2026
O Bradesco avalia que a economia brasileira apresenta sinais de fadiga, com perda de tração da atividade e início de deterioração em indicadores que sustentaram a resiliência do crescimento recente, especialmente mercado de trabalho e renda. Os dados mais recentes apontam para uma desaceleração mais disseminada da economia. O setor de serviços apresenta estagnação, enquanto o varejo e os bens de consumo duráveis, que demonstraram maior dinamismo no início do ano, perderam ritmo ao longo do período. Na indústria, a contração registrada em junho representou a maior queda mensal desde 2014, indicando um cenário de menor atividade e aproximação de um patamar de exaustão após o ciclo de expansão observado anteriormente. O mercado de trabalho, considerado um dos principais pilares de sustentação da economia brasileira nos últimos anos, também apresenta sinais de enfraquecimento.
A análise aponta uma inflexão nos rendimentos reais, movimento não observado desde o período da pandemia, após relativa estabilidade entre 2023 e 2024. O comportamento da renda ocorre em um ambiente de perda de força do consumo das famílias. O elevado comprometimento da renda com dívidas explica a dificuldade de manutenção dos gastos, mesmo diante da preservação de parte da renda primária. O Brasil registra atualmente o maior nível histórico de comprometimento da renda das famílias. Embora o endividamento total não seja considerado elevado em comparação com outras economias emergentes, o custo do serviço da dívida se tornou um dos principais limitadores do consumo, após um período prolongado de taxa Selic elevada. Nesse contexto, o Bradesco projeta crescimento de 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2024 e desaceleração para 1,3% em 2025.
Apesar da avaliação mais cautelosa sobre a atividade doméstica, o cenário externo apresenta um fator de sustentação no curto prazo. A economia global tem demonstrado maior capacidade de absorção de choques geopolíticos e de oferta, reduzindo impactos que, em ciclos anteriores, poderiam provocar efeitos mais intensos. Entre os exemplos está o comportamento do mercado de petróleo diante de restrições de fluxo associadas ao fechamento do Estreito de Ormuz. A reação dos preços foi considerada indicativa de maior flexibilidade da economia global para lidar com interrupções de oferta. O ambiente internacional mais resiliente pode reduzir parte dos impactos negativos sobre economias emergentes, embora o Brasil permaneça exposto às condições financeiras globais e ao comportamento dos mercados internacionais. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.