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10/Aug/2026

EUA poderá aplicar novas medidas contra o Brasil

Empresários brasileiros avaliam que a crise diplomática entre Brasil e Estados Unidos ainda pode se intensificar e demonstram preocupação com a possibilidade de novas medidas de pressão por parte do governo norte-americano. Fontes do setor privado relataram ter recebido alertas de funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos sobre a possibilidade de escalada das medidas caso o Brasil não conceda, em breve, o agrément para Daniel Perez, indicado pelo presidente norte-americano, Donald Trump, para ocupar a embaixada dos Estados Unidos em Brasília. Em conversas reservadas com empresários, diplomatas norte-americanos sinalizaram que a orientação do governo dos Estados Unidos é ampliar a pressão sobre o Brasil caso não haja avanço na anuência para a indicação de Perez. O agrément corresponde ao aval formal do país anfitrião para a entrada de um embaixador indicado pelo país de origem.

Na semana passada, o governo dos Estados Unidos revogou o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Fiotti. A medida não resultou em expulsão, mas retirou da diplomata o direito de entrar e sair dos Estados Unidos. A justificativa apresentada pelo governo norte-americano relaciona a medida à demora do Brasil em conceder o agrément de Perez. Ainda não há definição sobre quais novas medidas os Estados Unidos poderiam adotar, mas o setor privado brasileiro avalia como possíveis alternativas uma nova rodada de retirada de vistos de autoridades brasileiras e até a retomada da aplicação da Lei Magnitsky contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Alexandre de Moraes já havia sido sancionado com base na legislação, mas as restrições foram posteriormente retiradas. O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, declarou publicamente que atua pela retomada das sanções previstas na Lei Magnitsky.

Os Estados Unidos já revogaram os vistos de diversas autoridades brasileiras, incluindo ministros de Estado. A pressão diplomática sobre o Brasil tende a aumentar nesta semana. O governo de Donald Trump encaminhou ao Congresso norte-americano indicações para representações diplomáticas, entre elas a de Daniel Perez. A aprovação pelo Congresso dos Estados Unidos poderá elevar a pressão sobre o governo brasileiro e tornar o impasse em torno da indicação ainda mais sensível. O governo brasileiro dificilmente deverá conceder o agrément de Perez antes das eleições presidenciais. A posição adotada pelo Brasil considera que os Estados Unidos romperam a praxe diplomática ao divulgar o nome do indicado antes da manifestação formal do país anfitrião. Também pesa na avaliação brasileira o perfil de Perez, considerado próximo à ala mais radical do trumpismo, o que poderia ampliar o risco de interferência no processo eleitoral brasileiro.

Ao mesmo tempo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou disposição para buscar uma saída negociada para o impasse. Em conversas reservadas com políticos, Lula indicou a intenção de tentar estabelecer contato com Donald Trump, em um movimento de aproximação diplomática entre os dois governos. No setor privado, o cenário é de apreensão. Embora a crise diplomática não esteja interferindo diretamente nas relações comerciais, o agravamento das tensões dificulta as negociações para a retirada das tarifas adicionais impostas aos produtos brasileiros. Atualmente, uma série de mercadorias do Brasil está sujeita a uma sobretaxa de 37,5% para entrada nos Estados Unidos, considerada a maior entre as aplicadas pelo país, atrás apenas da tarifa incidente sobre produtos da China.

Ainda, o Senado dos Estados Unidos aprovou na sexta-feira (07/08), a indicação de Daniel Perez ao cargo de embaixador do Brasil, em um pacote mais amplo de 74 nomeações para agências federais norte-americanas e representação diplomática para vários países e órgãos como as Nações Unidas (ONU) e a Organização para Cooperação e Desenvolvimento (OCDE). Foram 51 votos a favor das nomeações e 47 contrários. Apesar da aprovação do senado norte-americano, Perez precisa do aval do governo brasileiro para assumir o cargo. Entre os países que receberam indicações de embaixadores, além do Brasil, estão Chipre, Camboja, Austrália e Noruega. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.