10/Aug/2026
Após três meses de vigência do Desenrola 2.0, programa do governo federal para renegociação de dívidas, a inadimplência das famílias brasileiras apresentou leve recuo em julho, mas o endividamento avançou e atingiu, pelo sexto mês consecutivo, o maior nível em 16 anos, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Em julho, 82% das famílias estavam endividadas, ante 81,6% em junho e 78,5% em julho de 2025. O indicador considera dívidas relacionadas a cartão de crédito, financiamentos bancários, cheque especial, carnês de lojas, crédito consignado e empréstimos pessoais, entre outras modalidades. A inadimplência apresentou redução marginal.
Em julho, 29,8% das famílias estavam com dívidas em atraso, ante 29,9% em junho e 30% em julho de 2025. O resultado indica efeito ainda limitado do programa de renegociação de dívidas sobre a parcela de famílias inadimplentes. Outro ponto de atenção é o aumento do comprometimento da renda. A proporção de brasileiros com mais da metade da renda mensal comprometida com dívidas subiu para 19% em julho, maior nível desde março de 2026. Entre os consumidores endividados, o comprometimento médio da renda mensal com o pagamento de dívidas alcançou 29,5%. A combinação entre o avanço do número de famílias endividadas e o aumento do comprometimento da renda mantém a capacidade de consumo sob pressão. Para a CNC, a elevada parcela da renda destinada ao pagamento de compromissos financeiros representa um fator de preocupação para a evolução das despesas das famílias.
A redução da taxa Selic é considerada um fator que poderá contribuir gradualmente para a melhora das condições de crédito. A transmissão para o custo das novas operações e para as renegociações de dívidas, contudo, tende a ocorrer de forma não imediata. A redução dos juros básicos poderá favorecer novas concessões de crédito com custos menores e renegociações em condições mais favoráveis. O elevado comprometimento da renda indica que a recuperação da capacidade de consumo das famílias deverá ocorrer de forma gradual. A continuidade do processo de flexibilização monetária, condicionada à evolução da inflação, poderá contribuir para aliviar o orçamento doméstico e reduzir a pressão financeira, principalmente entre as famílias de menor renda. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.