ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

07/Aug/2026

Agro brasileiro mais preparado para enfrentar El Niño

A MB Associados avalia que o episódio de El Niño previsto para 2026 não deverá reproduzir os efeitos climáticos e inflacionários observados durante o evento de 2015/16. Embora o fenômeno seja apontado por parte significativa do mercado como uma das principais variáveis para as projeções de inflação, as mudanças nas condições climáticas e na estrutura da agropecuária brasileira indicam um cenário distinto em relação ao observado há uma década. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) declarou oficialmente o retorno do El Niño em junho e projeta que o fenômeno alcance intensidade máxima entre outubro e dezembro de 2026, com 97% de probabilidade de permanecer ativo até o início de 2027. Ainda assim, pode ser inadequada a comparação direta com o evento de 2015/16. A primeira diferença apontada está relacionada ao comportamento climático. Os impactos do El Niño variam conforme a localização e a intensidade do aquecimento das águas do Oceano Pacífico, além da influência exercida pela temperatura do Atlântico Tropical, especialmente sobre a Região Nordeste do Brasil.

Como exemplo, pode-se citar o episódio de 2023/24, quando a expectativa inicial era de seca intensa no Semiárido, mas os efeitos mais severos acabaram concentrados nas Região Centro-Oeste e Sudeste, com ocorrência de calor extremo. O segundo fator refere-se às transformações estruturais da agropecuária brasileira desde 2015/16. Houve expansão da produção agrícola em direção ao Centro-Oeste e ao Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), acompanhada por maior adoção de sistemas de irrigação, ganhos tecnológicos e aumento da produtividade. Esse processo alterou o mapa de exposição aos riscos climáticos, reduzindo a importância relativa do Semiárido e ampliando a vulnerabilidade das áreas produtoras de soja e milho em determinadas regiões. Essa adaptação também pode ser percebida no comportamento dos preços dos alimentos. Após o super El Niño de 2015/16, a inflação da alimentação no domicílio chegou a superar em aproximadamente 8% a variação do IPCA, com destaque para o feijão, que acumulou valorização de 135%.

Durante o episódio de 2023/24, o diferencial máximo entre a inflação dos alimentos e o índice geral ficou em cerca de 3,5%, indicando maior capacidade de adaptação da produção agropecuária e da oferta de alimentos. No cenário-base da MB Associados, os efeitos do El Niño sobre a inflação deverão se concentrar principalmente em 2027, uma vez que a safra mais suscetível aos impactos climáticos será a daquele ano. A projeção é de que a inflação da alimentação no domicílio encerre 2027 entre 7,5% e 9,5%, com pico entre 9% e 11% no período de agosto a novembro. Esse movimento poderá acrescentar entre 0,6% e 0,9% ao IPCA cheio. Entre os produtos com maior potencial de pressão inflacionária estão feijão, cereais e arroz. O milho também poderá contribuir para a elevação dos preços das proteínas de ciclo curto no segundo semestre de 2027, em razão do aumento dos custos de ração. Para a carne bovina, a expectativa é de impactos mais concentrados em 2028, refletindo o ciclo produtivo mais longo da pecuária de corte. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.