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07/Aug/2026

A “antidiplomacia” dos EUA requer pragmatismo

A relação diplomática entre Brasil e Estados Unidos atravessa um período de elevada tensão após a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. O episódio ocorreu em meio ao impasse envolvendo a concessão do ‘agrément’ para a nomeação de Daniel Perez como novo embaixador norte-americano no Brasil, ampliando as incertezas sobre o relacionamento bilateral. O processo de nomeação do representante diplomático norte-americano também foi marcado por questionamentos relacionados aos procedimentos diplomáticos. A indicação de Daniel Perez foi anunciada pelo governo dos Estados Unidos antes da consulta formal ao governo brasileiro para a obtenção do ‘agrément’, etapa tradicionalmente prevista nas relações diplomáticas entre os países. A avaliação apresentada é de que o impasse não decorre exclusivamente da demora na análise da indicação do novo embaixador.

A condução da política externa norte-americana para o Brasil estaria concentrada principalmente no Departamento de Estado, sob influência de uma abordagem de caráter político e ideológico. Ao mesmo tempo, observa-se que diferentes áreas do governo dos Estados Unidos, como Tesouro, Representação Comercial, Departamento de Defesa e Casa Branca, mantêm prioridades e estratégias distintas na condução das relações internacionais. No lado brasileiro, a manutenção do ‘agrément’ pendente foi interpretada como instrumento de pressão diplomática. Segundo a análise, a divulgação da possibilidade de postergação da decisão até após as eleições brasileiras contribuiu para elevar o nível de tensão entre os dois governos e ampliou o risco de medidas de retaliação. O ambiente político também influencia a condução da crise.

A deterioração das relações diplomáticas tende a produzir reflexos sobre o debate político interno, ao mesmo tempo em que amplia a complexidade da gestão das relações bilaterais em um período de disputa eleitoral. A condução das negociações deveria permanecer sob responsabilidade da diplomacia profissional, preservando os canais institucionais de diálogo entre os dois países. Nesse contexto, a retomada de negociações reservadas entre o Itamaraty e o Departamento de Estado norte-americano é apontada como alternativa para reduzir as tensões e buscar uma solução que preserve a soberania brasileira sem aprofundar o desgaste nas relações bilaterais. A manutenção de canais permanentes de comunicação constitui elemento essencial para a administração de divergências entre os países, especialmente em momentos de baixa confiança política. O fortalecimento desses mecanismos é considerado relevante para evitar que impasses diplomáticos produzam efeitos duradouros sobre áreas estratégicas da cooperação bilateral.

Apesar da atual escalada diplomática, a expectativa é de que as relações entre Brasil e Estados Unidos possam ser gradualmente normalizadas após o período eleitoral, considerando a relevância dos vínculos comerciais, militares, científicos e estratégicos entre os dois países. Ainda assim, a continuidade das tensões pode gerar efeitos persistentes sobre o ambiente de confiança mútua e sobre oportunidades de cooperação internacional. Brasil e França enfrentam impasses diplomáticos com os Estados Unidos em meio à política externa adotada pelo governo do presidente Donald Trump. Paralelamente às tensões bilaterais, levantamento da Associação Americana do Serviço Exterior (AFSA) mostra que, dos 195 postos de embaixador norte-americano no exterior, 107 permanecem sem titulares, evidenciando um elevado número de representações diplomáticas ainda vagas. Os dados foram atualizados em 3 de agosto. O Brasil está entre os países que não contam com um embaixador dos Estados Unidos.

A Embaixada norte-americana em Brasília permanece sem titular desde janeiro de 2025, quando Elizabeth Bagley, indicada pelo então presidente Joe Biden, encerrou seu mandato antes da posse de Donald Trump. Desde então, a representação diplomática é conduzida por encarregados de negócios. Em junho, o governo norte-americano indicou Danny Perez, ex-presidente da Câmara dos Deputados da Flórida, para assumir a embaixada no Brasil. Dois meses após a indicação, o nome ainda não havia recebido o aval do governo brasileiro. Esse cenário estaria entre os fatores relacionados à decisão dos Estados Unidos de revogar o visto da embaixadora brasileira em Washington. A diplomata brasileira poderá voltar a exercer plenamente suas funções oficiais caso o governo brasileiro aprove a indicação de Danny Perez. No entanto, segundo autoridade do Departamento de Estado, a expectativa é de que essa aprovação não ocorra antes das eleições presidenciais brasileiras.

A França também enfrenta dificuldades diplomáticas com os Estados Unidos. Desde maio de 2025, os Estados Unidos são representados em Paris e Mônaco por Charles Kushner, que foi convocado em duas ocasiões pelo Ministério das Relações Exteriores francês após manifestações consideradas controversas sobre o governo da França, sem comparecer às reuniões. Em Washington, a França é atualmente representada pelo embaixador Laurent Bili, cuja substituição pelo diplomata Aurélien Lechevallier, chefe de gabinete do ministro francês das Relações Exteriores e indicado pelo presidente Emmanuel Macron, estava prevista para ocorrer até setembro. Entretanto, a aprovação do novo embaixador poderá ser adiada ou bloqueada. O possível adiamento está relacionado a manifestações da missão diplomática francesa junto à Organização das Nações Unidas (ONU), que criticou os Estados Unidos após votação contrária à renovação, por mais quatro anos, do mandato do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Turk.

A publicação, divulgada em rede social, afirmou que os Estados Unidos deixaram de exercer o papel histórico de referência na defesa dos direitos humanos, posicionamento que provocou reação de integrantes do Departamento de Estado. Segundo autoridades norte-americanas, o governo considerou a manifestação desrespeitosa e informou que responderia de forma apropriada. Na América do Sul, a maioria das representações diplomáticas norte-americanas permanece sem embaixadores titulares. Argentina, Chile, Guiana, Peru e Uruguai constituem as exceções. Brasil, Colômbia, Equador e Paraguai seguem com indicações pendentes de aprovação. Entre os países da União Europeia, Alemanha, Bulgária, Eslováquia e Hungria também não possuem embaixadores dos Estados Unidos em exercício. Nos casos de Bulgária, Eslováquia e Hungria, há indicações aguardando aprovação pelas autoridades competentes. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.