07/Aug/2026
O Brasil apresentou avanço no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2025 em todas as etapas avaliadas, mas permaneceu abaixo das metas estabelecidas para 2021 nos anos finais do ensino fundamental e no ensino médio. Os resultados foram divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) e consideram o desempenho dos estudantes em avaliações de Língua Portuguesa e Matemática do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), além dos indicadores de aprovação e reprovação escolar. O Ideb, divulgado a cada dois anos, utiliza uma escala de 0 a 10 e teve metas definidas para todas as etapas da educação básica entre 2007 e 2021. Após o encerramento desse ciclo, novas metas ainda não haviam sido estabelecidas pelos governos federais posteriores, mantendo como referência os objetivos previstos para 2021. O MEC informou que novos parâmetros para o indicador serão definidos em outubro. Os anos iniciais do ensino fundamental registraram o melhor desempenho entre as etapas avaliadas.
Em 2025, o indicador alcançou 6,3 pontos, acima dos 6 pontos registrados em 2023 e da meta de 6 pontos estabelecida para 2021. Essa é a única etapa da educação básica que atingiu o objetivo previsto e na qual os estudantes apresentam nível considerado adequado de aprendizagem em Língua Portuguesa e Matemática. Nos anos finais do ensino fundamental, o Ideb avançou de 5 pontos em 2023 para 5,3 pontos em 2025, mas permaneceu abaixo da meta de 5,5 pontos estabelecida para 2021. A etapa continua sendo um dos principais desafios da educação brasileira, especialmente pela transição entre os anos iniciais e o ensino médio e pela necessidade de ampliar a aprendizagem dos estudantes. No ensino médio, etapa historicamente mais vulnerável em indicadores educacionais, o Ideb passou de 4,3 pontos em 2023 para 4,5 pontos em 2025, mas ficou distante da meta de 5,2 pontos definida para 2021.
O MEC avalia que políticas recentes, como a ampliação do ensino em tempo integral, a reforma curricular e o programa Pé-de-Meia, ainda não tiveram seus efeitos plenamente capturados pelo indicador e poderão influenciar os próximos ciclos de avaliação. O governo federal considera que o avanço registrado ocorreu mesmo diante dos impactos provocados pela pandemia de Covid-19 sobre o sistema educacional. A recuperação dos indicadores ocorreu em ritmo superior ao inicialmente previsto, embora permaneçam desafios relacionados à qualidade do ensino e à permanência dos estudantes na escola, especialmente no ensino médio. A evasão escolar continua sendo um dos principais obstáculos nessa etapa, com fatores como entrada precoce no mercado de trabalho e gravidez na adolescência contribuindo para o abandono dos estudos. O governo pretende estabelecer novas metas para o Ideb consideradas mais ambiciosas, com foco na melhoria da aprendizagem e na redução das defasagens educacionais.
Na rede privada, o desempenho apresentou menor evolução em comparação com a rede pública. Nos anos iniciais do ensino fundamental, o Ideb das escolas particulares recuou de 7,2 pontos em 2023 para 7,1 pontos em 2025. Nos anos finais do fundamental, houve avanço de 6,3 para 6,4 pontos, retomando o nível registrado em 2019, antes da pandemia. No ensino médio privado, o indicador subiu de 5,6 pontos em 2023 para 5,8 pontos em 2025, mas permaneceu abaixo do patamar de 6 pontos registrado em 2019. Entre as redes privadas estaduais, Santa Catarina se destacou entre as três primeiras posições nos anos iniciais e finais do ensino fundamental. Rio Grande do Sul também apresentou desempenho elevado nos anos finais e no ensino médio, enquanto São Paulo apareceu entre as três melhores redes privadas apenas no ensino médio.
Os dados do Saeb também indicaram evolução na aprendizagem em Língua Portuguesa e Matemática, embora apenas os anos iniciais do ensino fundamental tenham alcançado nível considerado adequado. Nos anos finais do fundamental e no ensino médio, os estudantes permanecem em nível básico de aprendizagem, conforme a escala de proficiência elaborada pelo Todos pela Educação com base na matriz do Saeb. Nos anos iniciais do ensino fundamental, a proficiência em Língua Portuguesa passou de 213,9 pontos em 2023 para 219,3 pontos em 2025, avanço de 5,4 pontos. Considerando apenas a rede pública, a evolução foi de 207,6 para 215,1 pontos, aumento de 7,5 pontos. Nesse nível, os estudantes conseguem desenvolver habilidades como interpretação de textos, identificação de relações de causa e consequência e compreensão de elementos verbais e não verbais.
Em Matemática, os anos iniciais registraram avanço de 224,8 pontos em 2023 para 232,3 pontos em 2025, aumento de 7,5 pontos. Na rede pública, a pontuação passou de 218,3 para 227,4 pontos, crescimento de 9,1 pontos. O desempenho indica domínio de habilidades como interpretação de gráficos, operações matemáticas básicas e resolução de problemas envolvendo multiplicação e divisão. Nos anos finais do ensino fundamental, o avanço foi mais moderado. Em Língua Portuguesa, a pontuação nacional aumentou de 258,8 para 262,2 pontos entre 2023 e 2025, crescimento de 3,4 pontos. Em Matemática, passou de 258,9 para 264,2 pontos, alta de 5,3 pontos.
Na rede pública, o avanço foi semelhante, com crescimento de aproximadamente 3,7 pontos em Língua Portuguesa e 5 pontos em Matemática, mantendo o nível considerado básico de aprendizagem. No ensino médio, o avanço foi o menor entre as etapas avaliadas. Em Língua Portuguesa, a nota nacional passou de 276,91 pontos em 2023 para 280,49 pontos em 2025. Em Matemática, aumentou de 272,9 para 277,7 pontos no mesmo período. Na rede pública de ensino médio, a proficiência em Língua Portuguesa avançou de 270,2 para 273,6 pontos, aumento de 3,4 pontos. Em Matemática, passou de 264,68 para 268,89 pontos, crescimento de 4,21 pontos. Os resultados indicam melhora gradual, mas ainda refletem a necessidade de ampliar políticas voltadas à qualidade do ensino e à preparação dos jovens para o mercado de trabalho. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.