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06/Aug/2026

Estreito de Ormuz: Irã nega negociação com EUA

A reabertura do Estreito de Ormuz depende de uma mudança no comportamento dos Estados Unidos e da "correção de suas violações", informou nesta quarta-feira (05/08) a emissora estatal iraniana IRIB. Um eventual acordo entre Irã e Omã sobre futuros arranjos de navegação em Ormuz não levará à reabertura imediata da via estratégica. As negociações estão sendo conduzidas exclusivamente entre Irã e Omã e "não têm nada a ver com os Estados Unidos". Mesmo que Irã e Omã cheguem a um entendimento, o Estreito permanecerá fechado enquanto as "violações norte-americanas" continuarem. O reforçou Irã está negociando no momento apenas um acordo com o Omã sobre a gestão do Estreito de Ormuz e não realizou nenhuma conversa com os Estados Unidos.

Somente os termos deste pacto não serão capazes de fornecer as condições necessárias para garantir a segurança da rota marítima, fechada em razão da violação do memorando de entendimento de Islamabad pelos norte-americanos. Sem o fim das agressões dos Estados Unidos e cumprimento das condições, a situação em Ormuz não voltará a ser como era há um mês, referência ao breve período de alívio nas tensões e retomada gradual da navegação. O Irã não mudou sua posição após os ataques dos Estados Unidos e continua a preocupação de que a obstrução da rota pelos Estados Unidos prolongue ou interrompa a atual negociação.

Ainda, o vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, afirmou que o país ainda não decidiu se avançará para o segundo estágio de negociações com os Estados Unidos, considerando a base de "desconfiança" após recorrentes quebras de compromissos diplomáticos pelos norte-americanos. Em entrevista à IRNA nesta quarta-feira (05/08), Gharibabadi ressaltou que um acordo com Omã sobre o gerenciamento do Estreito de Ormuz não quer dizer que a rota marítima será reaberta. "Afirmações dos Estados Unidos de que estão negociando conosco não são verdadeiras, não há negociações recentes. Mas, é claro, recebemos mensagens dos norte-americanos", disse ele.

Questionado sobre o conteúdo das mensagens, Gharibabadi afirmou que os norte-americanos estão prontos para retomar os compromissos do Memorando de Entendimento (MoU) de Islamabad, contudo, o Irã hesita em prosseguir diante da complexidade da situação geopolítica. "Atualmente, diplomacia e ofensiva militar trabalham juntas", acrescentou. "O retorno dos Estados Unidos para o memorando é uma condição necessária para encerrar a guerra, mas não é suficiente depois de tantas quebras de promessas. É preciso novo comprometimento, declaração ou comentário que nos reassegure sobre o acordo. Continuamos firmes contra qualquer agressão norte-americana". O Paquistão convidou o representante do Parlamento do Irã e o ministro das Relações Exteriores para uma viagem diplomática, mas os preparativos ainda estão em andamento.

As negociações com Omã para o gerenciamento do Estreito de Ormuz também estão em progresso e devem ser "finalizadas e em breve", segundo ele. O entendimento com Omã visa reabrir algumas rotas da via marítima temporariamente, embora o processo de abertura tenha outros requisitos que dependem dos Estados Unidos. "Temos que ver progresso na liberação de ativos iranianos, retirada de sanções e cessão dos conflitos no Líbano, como determinado pelo MoU", disse ele à IRNA. O vice-ministro rejeitou ainda quaisquer tentativas de "interferência externa" na administração do Estreito de Ormuz, deixando o controle apenas entre Irã e Omã. "Nossa demanda, que inclusive já estava prevista no MoU, era de que as rotas marítimas de Ormuz fossem alteradas, porque as antigas não refletem mais as condições necessárias para garantir a já prejudicada segurança nacional do Irã", afirmou.

"Agora, decidimos as rotas de entrada e saída do tráfego marítimo de modo alinhado com as dimensões de Omã". Segundo ele, o memorando de Islamabad previa que o Irã seria responsável por todas as questões envolvendo a reabertura de Ormuz, incluindo os arranjos para passagem de navios comerciais livre de cobrança por um período de apenas 60 dias. "O MoU não diz qual rota deve ser usada", pontuou, admitindo que o conflito com os Estados Unidos recomeçou após desentendimentos em relação a isso. O cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã chegou precipitadamente ao fim no mês passado, após ataques da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) contra embarcações em Ormuz provocarem retaliações dos Estados Unidos. A nova rota do Estreito de Ormuz será válida temporariamente por dois a quatro meses, com possibilidade de extensão desse período. Fonte: Fars. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.