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05/Aug/2026

Dólar sobe com tensão diplomática entre Brasil-EUA

O dólar fechou em alta ante o Real nesta terça-feira (04/08), refletindo a preocupação do mercado com a possibilidade de novas sanções diplomáticas dos Estados Unidos contra o Brasil e a expectativa de cortes adicionais na taxa Selic pelo Banco Central. A queda do petróleo no mercado internacional, que reduz o fluxo de entrada de divisas em países exportadores da commodity, também contribuiu para a valorização da moeda norte-americana. O dólar encerrou a sessão com avanço de 0,84%, cotado a R$ 5,13, acumulando queda de 6,53% no ano. Após o fechamento do mercado, o Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou o cancelamento do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti, aumentando a percepção de deterioração nas relações diplomáticas entre os dois países.

Durante a sessão, o câmbio chegou a operar em baixa no início do pregão, acompanhando o movimento internacional de enfraquecimento do dólar diante de moedas emergentes, com o mercado monitorando a possibilidade de avanços nas negociações de paz entre Estados Unidos e Irã. A cotação chegou à mínima intradia de R$ 5,07, recuo de 0,33%. Porém, o dólar ganhou força ante o Real diante da expectativa de novas medidas dos Estados Unidos contra o Brasil. A possibilidade de retaliações diplomáticas após o governo brasileiro negar vistos a autoridades norte-americanas elevou a demanda por proteção cambial, levando a moeda à máxima de R$ 5,14, alta de 1,19%. O movimento também acompanhou a alta das taxas de juros futuros e a perda de força do Ibovespa, em meio à reavaliação dos investidores sobre os riscos políticos e econômicos domésticos.

No cenário interno, o mercado manteve atenção sobre a reunião do Banco Central, com expectativa majoritária de redução de 0,25% na Selic, para 14% ao ano. A possibilidade de novos cortes nos juros básicos também contribuiu para pressionar o Real, ao reduzir o diferencial de juros entre o Brasil e outras economias. A expectativa de flexibilização monetária ganhou força após a divulgação de dados mais fracos da atividade econômica. A produção industrial brasileira recuou 1,8% em junho ante maio, resultado pior que a queda de 0,8% esperada pelo mercado. Na comparação anual, houve crescimento de 1,7%, abaixo da projeção de 3%. No exterior, o dólar apresentou queda frente a uma cesta de moedas, com o índice DXY recuando 0,15%, para 99,863 pontos. A dinâmica global, porém, foi compensada internamente pelos fatores políticos, pela perspectiva de redução dos juros e pela queda do petróleo Brent para abaixo de US$ 80,00 por barril. Fonte: Reuters. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.