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05/Aug/2026

El Niño forte pode atrasar plantio da safra 2026/27

O fortalecimento do El Niño nos próximos meses pode atrasar o início das chuvas e dificultar a implantação da safra de verão (1ª safra 2026/27) em áreas do Centro-Oeste e do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia). Ao mesmo tempo, o cenário de menor volume de precipitações entre agosto e outubro tende a favorecer a conclusão da colheita do milho 2ª safra, algodão, sorgo e lavouras tardias nessas regiões. A avaliação consta da segunda edição do Painel El Niño 2026-2027, elaborado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) em conjunto com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Serviço Geológico do Brasil, Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil e Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).

Os modelos meteorológicos indicam 100% de probabilidade de manutenção do fenômeno até o início de 2027, com possibilidade de intensidade muito forte durante a primavera e o verão. Nesse período, as anomalias da temperatura da superfície do Pacífico Equatorial podem superar 2°C. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) estima em 81% a probabilidade de ocorrência de um El Niño muito forte entre outubro e dezembro. O Apec Climate Center também aponta 100% de chance de permanência de condições de El Niño forte até o fim deste ano. Entre agosto e outubro, a previsão indica maior probabilidade de chuvas abaixo da média em grande parte das regiões Norte e Nordeste e em áreas do Centro-Oeste. As temperaturas devem permanecer acima da média em praticamente todo o País, aumentando a perda de umidade do solo, a necessidade de irrigação e o risco de queimadas.

Na Região Centro-Oeste, o tempo mais seco tende a contribuir para o avanço da colheita do milho 2ª safra de 2026, algodão, sorgo e culturas de ciclo tardio. Em contrapartida, o calor pode ampliar a deficiência hídrica, pressionar pastagens e recursos hídricos e dificultar o preparo das áreas destinadas ao plantio da próxima temporada. Na porção sul da Amazônia Legal, o El Niño pode atrasar o estabelecimento da estação chuvosa e prolongar as condições de estiagem típicas do período seco. A transição para o período úmido deve ocorrer de forma irregular, com chuvas isoladas intercaladas por intervalos prolongados de seca, reduzindo a disponibilidade de umidade para a semeadura. No Matopiba, o cenário mais seco favorece a retirada do milho 2ª safra de 2026 e do algodão, mas pode dificultar o estabelecimento das lavouras da safra de verão (1ª safra 2026/27) e limitar o potencial produtivo das culturas de sequeiro.

O painel também aponta aumento da demanda por irrigação e possível redução da disponibilidade de água para a atividade pecuária. Na Região Sul, o comportamento climático tende a ser mais favorável, com previsão de chuvas acima da média, o que pode melhorar a disponibilidade de água no solo e beneficiar o plantio de soja e milho, além das culturas de inverno. Entretanto, volumes elevados de precipitação podem aumentar a ocorrência de doenças fúngicas, atrasar colheitas, dificultar operações agrícolas e provocar necessidade de replantio em áreas afetadas. Na Região Sudeste, a combinação de chuvas abaixo da média e temperaturas elevadas deve favorecer a colheita das culturas de 2ª safra e de inverno. Porém, a restrição hídrica pode reduzir o potencial produtivo das lavouras de inverno, afetar cana-de-açúcar, citros, pastagens e culturas perenes, além de dificultar o preparo das áreas para a safra de verão (1ª safra 2026/27). Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.