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05/Aug/2026

Inflação e riscos externos limitam queda dos juros

O Rabobank projeta que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduzirá a taxa Selic em 0,25% na próxima reunião, levando a taxa básica de juros para 14% ao ano. Esse movimento poderá representar o último corte de juros em 2026, com uma retomada da flexibilização monetária apenas no primeiro semestre de 2027. Apesar da desaceleração mais intensa da inflação, o cenário prospectivo ainda apresenta desafios relevantes para a autoridade monetária, reduzindo o espaço para novos cortes de juros no curto prazo. A expectativa é que o Copom mantenha uma postura de cautela diante da necessidade de acompanhar a convergência da inflação e os efeitos defasados da política monetária. Três fatores devem concentrar a atenção do Copom na decisão e na comunicação da política monetária. O primeiro é a projeção de inflação para o horizonte relevante do Banco Central, correspondente ao primeiro trimestre de 2028, que será atualizada a partir de premissas semelhantes às utilizadas na reunião anterior.

A taxa de câmbio permanece em patamar próximo ao observado anteriormente, enquanto os preços de commodities apresentam leve redução. O índice de commodities Brasil (IC-Br) foi estimado em 442,88 pontos, ante 452,9 pontos na reunião anterior, queda de 2,2%. Mesmo com esse ajuste, a projeção de inflação do modelo do Banco Central para o primeiro trimestre de 2028 permanece em 3,2% ao ano, repetindo o valor anterior e indicando convergência ainda incompleta para a meta. O segundo fator envolve o balanço de riscos, que deve continuar assimétrico para cima, com riscos considerados relevantes. Destaque para o hiato do produto, que permanece positivo e as expectativas de inflação seguem desancoradas.

O Copom deverá continuar observando os efeitos acumulados e defasados da política monetária, diante da possibilidade de novos choques inflacionários relacionados ao conflito no Oriente Médio e ao avanço do fenômeno El Niño nos próximos meses. O terceiro fator está relacionado à comunicação da autoridade monetária, que ganha importância diante do ambiente externo de maior incerteza. A expectativa é que o Copom reforce a avaliação de que o atual ciclo representa uma etapa de calibração, com manutenção da Selic em nível restritivo por período prolongado e sem reações a indicadores isolados. O Copom deverá manter uma postura de cautela na condução da política monetária, evitando sinalizações antecipadas para a próxima reunião e adotando uma estratégia baseada na avaliação contínua dos dados, considerando a imprevisibilidade dos impactos do conflito internacional e dos possíveis efeitos do El Niño sobre os mercados. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.