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05/Aug/2026

Tarifas dos EUA desafiam exportadores brasileiros

A nova rodada de tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros levou empresas exportadoras a reavaliar estratégias comerciais, calcular os impactos financeiros e acompanhar a possibilidade de novas negociações entre os governos. A medida afeta segmentos com forte dependência do mercado norte-americano, especialmente aqueles que haviam retomado as exportações após a suspensão judicial das tarifas anteriormente aplicadas. O setor de rochas naturais do Espírito Santo está entre os mais atingidos. O Estado responde por aproximadamente 80% das exportações brasileiras desse segmento e reúne cerca de 1,6 mil empresas. Em 2025, granito e mármore haviam sido submetidos a uma tarifa de 50% pelos Estados Unidos. A cobrança foi anulada pela Justiça norte-americana em fevereiro de 2026, permitindo a recuperação das vendas. Entretanto, em julho, o governo dos Estados Unidos voltou a aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, voltando a pressionar as exportações.

Como alternativa, parte das empresas passou a direcionar as vendas para o quartzito, especialmente a variedade patagônia, produto de maior valor agregado e com elevada demanda no mercado norte-americano. Posteriormente, esse material também passou a ser alcançado por uma tarifa adicional de 12,5%, elevando a carga tributária incidente sobre as exportações e reduzindo a competitividade do segmento. O impacto das medidas atinge diretamente municípios com elevada dependência das exportações de rochas ornamentais, entre eles Castelo, no sul do Espírito Santo. Empresas do setor avaliam que a combinação entre custos domésticos elevados, margens reduzidas e aumento das tarifas limita a capacidade de absorver os novos encargos, ampliando o risco de cancelamento de pedidos e redução das vendas caso os importadores norte-americanos não assumam parte dos custos adicionais. A reorganização comercial também encontra limitações estruturais.

Grande parte das chapas de rochas produzidas para o mercado dos Estados Unidos possui especificações pouco demandadas em outros destinos. Os consumidores norte-americanos utilizam predominantemente chapas com 3 centímetros de espessura, enquanto outros mercados concentram o consumo em materiais de 2 centímetros. Além disso, características de acabamento, cores e padrões de consumo diferem entre os mercados, restringindo o redirecionamento das exportações. Além do setor de rochas naturais, segmentos como gemas, joias e tabaco também registram impactos decorrentes das novas tarifas, aumentando a preocupação entre produtores e exportadores em Estados como Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Diante desse cenário, empresas intensificam a busca por novos mercados consumidores e acompanham a evolução das negociações comerciais, enquanto avaliam alternativas para reduzir os efeitos das sobretaxas sobre as exportações brasileiras. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.