27/Jul/2026
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avaliou que o acionamento da Lei da Reciprocidade pelo governo brasileiro em resposta às tarifas impostas pelos Estados Unidos não implica a adoção imediata de medidas de retaliação comercial. Após reunião com representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a entidade defendeu que eventual utilização do instrumento legal seja conduzida de forma técnica e cautelosa, preservando o espaço para negociações entre os dois países. A abertura do processo previsto na Lei da Reciprocidade representa o início dos trâmites legais e administrativos, sem determinar automaticamente a aplicação de contramedidas comerciais. A entidade considera que decisões precipitadas podem ampliar as tensões comerciais e produzir efeitos mais prejudiciais do que os benefícios esperados. O posicionamento ocorre após o governo dos Estados Unidos justificar a tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros com base em alegadas práticas comerciais desleais relacionadas a temas como Pix, etanol e desmatamento.
De acordo com estimativas do MDIC, essa medida deverá atingir aproximadamente 18% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano, correspondentes a US$ 7,4 bilhões com base nos valores exportados em 2024. Também foi confirmada a aplicação de uma sobretaxa adicional de 12,5% sobre produtos provenientes de diversos países, entre eles o Brasil, fundamentada pelo governo norte-americano em alegadas deficiências no combate ao trabalho forçado. Quando foi anunciada anteriormente a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, houve entendimento entre o setor produtivo e o governo para evitar uma resposta imediata, estratégia que, segundo a entidade, tende a ser mantida diante das novas medidas. A CNI informou ainda que recebeu do MDIC a sinalização de que o governo brasileiro continuará buscando uma solução negociada com os Estados Unidos, mantendo o diálogo diplomático e comercial como principal instrumento para enfrentar as restrições impostas às exportações brasileiras.
A Amcham Brasil manifestou preocupação com a decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar uma sobretaxa adicional de 12,5% sobre produtos importados do Brasil, relacionada ao combate à importação de bens produzidos com trabalho forçado. A medida amplia as restrições de acesso dos produtos brasileiros ao mercado norte-americano e aumenta os riscos para o comércio bilateral. A nova tarifa alcança aproximadamente 3 mil produtos brasileiros, que representam cerca de US$ 12,5 bilhões em exportações anuais destinadas aos Estados Unidos. Desse total, aproximadamente 85,3% das vendas externas, equivalentes a US$ 10,7 bilhões, passarão a acumular a nova sobretaxa de 12,5% com a tarifa adicional de 25% anunciada anteriormente pelo governo norte-americano, elevando a carga tarifária total para 37,5%, um dos níveis mais elevados atualmente aplicados pelos Estados Unidos a parceiros comerciais. O aumento das tarifas reduz a competitividade dos produtos brasileiros no mercado norte-americano e tende a intensificar a retração do fluxo comercial entre os dois países.
A medida poderá elevar custos para empresas e consumidores nos Estados Unidos, comprometer cadeias produtivas integradas entre as economias brasileira e norte-americana e afetar os investimentos bilaterais. A entidade defende que a reversão desse cenário depende da retomada das negociações entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos, considerando o diálogo bilateral como o instrumento mais eficaz para preservar os interesses econômicos de ambos os países e restabelecer maior previsibilidade nas relações comerciais. A eventual adoção de medidas de reciprocidade apresenta elevado potencial de ampliar as tensões políticas e comerciais entre os dois países, agravando os impactos econômicos sobre empresas, investimentos e fluxos de comércio. Nesse contexto, a entidade reiterou a necessidade de continuidade das negociações bilaterais como forma de buscar a reversão das sobretaxas, ampliar a segurança para empresas e investidores e fortalecer a agenda econômica entre Brasil e Estados Unidos.
A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) criticou a ampliação das tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e avaliou que houve falhas na condução da relação comercial bilateral pelo governo federal. A entidade classificou a medida norte-americana como unilateral e arbitrária e defendeu a retomada de negociações para restabelecer condições consideradas equilibradas para o comércio entre os dois países. A Faesp rejeitou as justificativas apresentadas pelos Estados Unidos e destacou que o agronegócio brasileiro segue padrões de controle, conformidade e práticas ambientais, sociais e de governança voltadas à proteção dos trabalhadores e ao cumprimento de normas de direitos humanos. O setor produtivo vinha alertando há cerca de dois anos sobre os riscos de deterioração da relação comercial com os Estados Unidos.
Representantes do agronegócio, da indústria, do comércio e dos serviços participaram de iniciativas junto a parceiros internacionais para tratar do tema, mas a entidade avaliou que o governo federal não teria priorizado adequadamente a agenda comercial. A manutenção de determinados produtos fora da lista de tarifas adicionais ocorreu principalmente pela atuação de representantes privados junto ao mercado internacional. A entidade defendeu maior participação da diplomacia comercial brasileira para enfrentar barreiras impostas às exportações nacionais. Também citou outros obstáculos comerciais enfrentados pelo Brasil, como a tarifa de 55% aplicada pela China sobre a carne bovina brasileira após o preenchimento da cota de exportação. É necessária a atuação diplomática para ampliar o acesso aos mercados externos. A Faesp pediu que o governo utilize os canais de negociação para buscar uma solução e afirmou que o momento não seria adequado para a aplicação da Lei de Reciprocidade Econômica, defendendo a continuidade do diálogo com os Estados Unidos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.