27/Jul/2026
O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) afirmou que as novas tarifas aplicadas a 60 parceiros comerciais têm como objetivo reforçar o combate ao trabalho forçado e corrigir práticas comerciais consideradas incompatíveis com os padrões adotados pelo governo norte-americano. Segundo o órgão, a medida busca enfrentar simultaneamente violações de direitos humanos e distorções comerciais, promovendo maior proteção aos trabalhadores em âmbito global. De acordo com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, a legislação norte-americana proíbe há quase um século a importação de produtos fabricados com trabalho forçado e essa política vem sendo aplicada de forma rigorosa.
O USTR avaliou que outros parceiros comerciais também devem adotar mecanismos equivalentes para impedir a entrada de bens produzidos nessas condições e assegurar sua efetiva fiscalização. Os Estados Unidos possuem uma das legislações mais restritivas sobre a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Em 2021, o país aprovou legislação específica proibindo a importação de produtos originários de uma região da China associada ao uso sistemático de trabalho forçado, ampliando os instrumentos de fiscalização das cadeias produtivas internacionais.
Apesar da justificativa oficial, especialistas e críticos da medida avaliam que a investigação relacionada ao trabalho forçado pode estar sendo utilizada para sustentar juridicamente a reintrodução de tarifas comerciais anteriormente questionadas no âmbito da Suprema Corte dos Estados Unidos. Segundo essa interpretação, a fundamentação baseada em direitos humanos forneceria respaldo legal para a manutenção da política tarifária defendida pelo governo norte-americano.
Entre essas avaliações, pesquisadores da área de comércio internacional observam que a reduzida diferença entre as tarifas aplicadas a parceiros como Canadá e União Europeia, em comparação com aquelas impostas à China, reforça a percepção de que a investigação sobre trabalho forçado teria sido utilizada como base para implementar tarifas alinhadas à política comercial do governo dos Estados Unidos, sem que o combate ao trabalho forçado represente necessariamente o principal objetivo da iniciativa. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.