27/Jul/2026
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirma, em um artigo publicado na sexta-feira (24/07) pelo jornal O Globo, que o Brasil continua disposto a negociar com os Estados Unidos, não será intimidado por novas ameaças e falsas alegações. O conteúdo não é muito diferente do que autoridades de vários escalões vem apontando desde que os Estados Unidos anunciaram o Liberation Day no ano passado e com as novas sobretaxas aplicadas mais recentemente, mas é um posicionamento oficial importante no dia seguinte à apresentação de uma nova leva de decisões unilaterais no comércio internacional, que deixa o Brasil entre os países mais afetados do mundo.
Vieira evoca o ex-presidente da Câmara dos Deputados Ulysses Guimarães para apoiar seu raciocínio e, em ano de eleição, cita nominalmente o irmão do pré-candidato pelo PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, que mora nos Estados Unidos, como o catalisador dessas tarifas. "A linha do tempo da atual ofensiva contra o Brasil não deixa margem a nenhuma dúvida quanto aos brasileiros que trabalharam contra o interesse nacional para obter a impunidade daqueles que fracassaram em uma tentativa de golpe de Estado", diz o ministro.
"Esses brasileiros, liderados pelo ex-deputado Eduardo Bolsonaro, continuam a trabalhar pela ingerência externa no Brasil", continua, acrescentando que a acusação é uma questão opinativa, mas que seus autores reivindicaram a responsabilidade pelas tarifas à época, em postagens e entrevistas. No texto, o chanceler deixa claro a avaliação do governo de que o Brasil vem sendo atacado há mais de um ano e que a resposta vem sendo a da defesa do interesse nacional com diplomacia e pragmatismo, "mas também com firmeza e clareza." "Diante dos múltiplos desafios do último ano, o que mais o governo brasileiro tem feito é negociar", afirma.
Para Vieira, em nenhum momento os Estados Unidos deixaram abertura para uma negociação equilibrada, mencionando em especial temas como o Pix e o desmatamento. "O que se chegou a propor ao Brasil era uma espécie de rendição, que incluiria a abertura integral, e exclusiva aos Estados Unidos, de setores industriais brasileiros inteiros, sem qualquer contrapartida em matéria de abertura comercial", aponta o ministro, acrescentando que o setor privado brasileiro nunca aceitaria essa postura. Sobre o etanol, o artigo enfatiza que a atitude é marcada por ameaças e ações unilaterais.
"Qualquer concessão unilateral e exclusiva a um determinado país é ilegal, à luz dos compromissos internacionais do Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC), e fatalmente seria também contestada na Justiça brasileira pelos setores afetados." O ministro diz que a posição dos Estados Unidos é a da imposição da lei do mais forte. "E novamente com viés político, como ficou claro na agressiva postagem do secretário de Estado norte-americano, na qual se arvorou o direito de dizer que ele sabe o que é melhor para os brasileiros e ainda atacou gratuitamente o presidente de um país amigo", afirma.
Ao final, o chanceler escreve que, para que haja diálogo e resultados, o Brasil depende da disposição da outra parte em negociar. "Vamos continuar a trabalhar na busca de soluções para uma crise cujos autores são brasileiros que operam abertamente contra o País e que desfrutam de proteção e apoio político de setores da extrema direita internacional." Segundo ele, o Brasil e os brasileiros estão pagando caro por essa irresponsabilidade. Fonte: Broadcast Agro.