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24/Jul/2026

Setor privado avalia positivamente Brasil Soberano 3

Os setores produtivos atingidos pela tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos às exportações brasileiras avaliaram de forma favorável o lançamento da nova edição do programa Brasil Soberano, destinado a mitigar os impactos da medida sobre a indústria e outros segmentos exportadores. Apesar da avaliação positiva, entidades representativas consideram que o pacote deve ser complementado por novas iniciativas para ampliar a competitividade das empresas brasileiras. Entre as principais demandas apresentadas ao governo está a ampliação do Regime Especial de Reintegração de Valores Tributários para Empresas Exportadoras (Reintegra), mecanismo que restitui entre 3% e 6% do valor exportado para compensar tributos residuais incidentes ao longo da cadeia produtiva.

A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) avaliou que a criação de linhas emergenciais de crédito atende parte das reivindicações apresentadas ao governo. No entanto, a entidade considera que a medida, isoladamente, não será suficiente para compensar os impactos provocados pela perda de competitividade decorrente das tarifas norte-americanas. Segundo a associação, a efetividade do programa dependerá da regulamentação das novas linhas de financiamento e da rapidez na implementação das medidas. A entidade também reiterou pedidos já encaminhados ao governo, incluindo a ampliação do Reintegra, o fortalecimento dos mecanismos de monitoramento das importações e maior utilização dos instrumentos de defesa comercial diante do avanço das importações de calçados, especialmente provenientes da China, Vietnã e Indonésia.

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) destacou a rapidez da resposta do governo federal, considerando positiva a divulgação do programa um dia após a entrada em vigor da tarifa norte-americana. A entidade também avaliou que os R$ 18,5 bilhões disponibilizados para o programa tendem a ser suficientes para atender à demanda inicial dos setores contemplados. Ao mesmo tempo, a Abimaq defende que as empresas beneficiadas pelas linhas de crédito não sejam obrigadas a manter os atuais níveis de emprego como condição para acesso aos recursos, entendimento que, segundo a entidade, contribuiria para ampliar a efetividade do programa em um cenário de redução das exportações. Os recursos do Brasil Soberano serão direcionados aos setores afetados pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos, bem como aos segmentos impactados por conflitos internacionais.

O programa também prevê linhas de financiamento com custos reduzidos para setores considerados estratégicos para a balança comercial brasileira, incluindo fertilizantes e minerais críticos. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) classificou como oportuna a disponibilização de crédito emergencial, avaliando que a iniciativa contribui para reduzir os efeitos da sobretaxa norte-americana sobre segmentos relevantes da indústria brasileira. A entidade ressalta que a indústria de transformação deverá ser a mais afetada, uma vez que aproximadamente 47% do valor das exportações do setor para os Estados Unidos está sujeito à tarifa adicional. Na avaliação da CNI, o novo cenário amplia as dificuldades financeiras enfrentadas pelas empresas, que já convivem com custos elevados de financiamento, juros elevados e incidência do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) nas operações de crédito.

A entidade também considera que as medidas emergenciais podem integrar uma futura sétima missão da Nova Indústria Brasil (NIB), voltada ao fortalecimento da inserção internacional da indústria nacional. As entidades destacam ainda que a diversificação de mercados é uma estratégia importante para reduzir a dependência do mercado norte-americano, mas ressaltam que esse processo demanda tempo, investimentos e adaptação operacional das empresas. Nesse contexto, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) informou que deverá anunciar, em agosto, um plano de diversificação de mercados para produtos afetados pelas tarifas dos Estados Unidos, com orçamento de R$ 130 milhões. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.