24/Jul/2026
O Banco do Brasil (BB) continuará como principal agente financeiro na distribuição de crédito rural com taxas equalizadas pelo Tesouro Nacional no Plano Safra 2026/27, embora com participação inferior à registrada historicamente. Na safra iniciada em 1º de julho, o banco poderá operar R$ 41,837 bilhões em linhas com juros subsidiados, sendo R$ 27,259 bilhões destinados à agricultura empresarial e R$ 14,579 bilhões à agricultura familiar. O volume destinado ao BB representa queda de 28% em relação aos R$ 58,013 bilhões em recursos equalizados inicialmente direcionados ao banco na safra 2025/26. Ainda assim, a instituição ficou com a maior participação entre os agentes financeiros, respondendo por 29,5% dos R$ 141,921 bilhões em crédito equalizado previstos para a agricultura empresarial e familiar no ciclo 2026/27. Os valores constam em portaria do Ministério da Fazenda publicada no Diário Oficial da União (DOU), que detalha a distribuição dos recursos entre as instituições autorizadas a operar financiamentos rurais com equalização de juros.
O Plano Safra 2026/27 contará com R$ 141,921 bilhões em recursos equalizados, dos quais R$ 97,561 bilhões serão destinados à agricultura empresarial, com taxas de juros entre 8% ao ano e 12,5% ao ano, e R$ 44,360 bilhões serão direcionados à agricultura familiar, com juros variando de 0,5% ao ano a 7,5% ao ano. A equalização de juros corresponde ao pagamento realizado pelo Tesouro Nacional aos agentes financeiros para cobrir a diferença entre o custo de captação dos recursos, acrescido de despesas administrativas e tributárias, e os encargos cobrados dos produtores rurais nos financiamentos. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ampliou sua participação no crédito rural equalizado da safra 2026/27 e passou a responder por 28,5% do total. O banco terá R$ 40,450 bilhões em recursos com taxas subsidiadas, sendo R$ 21,517 bilhões destinados à agricultura empresarial e R$ 18,932 bilhões à agricultura familiar.
O valor representa alta de 1,7% ante os R$ 39,764 bilhões aprovados na temporada anterior. O sistema cooperativo de crédito também ampliou sua participação relativa na distribuição dos recursos equalizados. Sicoob, Sicredi, Cresol, Credisis, CrediSeara, Credicoopavel, Lar Credi e Credicoamo poderão operar, em conjunto, R$ 42,321 bilhões em financiamentos subsidiados, equivalentes a 29,8% do total. Apesar da maior participação percentual, o volume autorizado às cooperativas ficou 2,4% abaixo dos R$ 43,361 bilhões aprovados no ciclo anterior, quando o grupo representava 27,06% do total de recursos equalizados. Entre as cooperativas, o Sicoob será o maior operador individual, com R$ 19,45 bilhões em recursos equalizados, equivalentes a 13,7% do total e aumento de 30,4% em relação aos R$ 14,910 bilhões autorizados na safra passada. O Sicredi terá R$ 18,709 bilhões, participação de 13,2%, com redução de 25% frente aos R$ 25,056 bilhões do ciclo 2025/26.
A Caixa Econômica Federal completará a lista dos cinco maiores agentes financeiros do crédito subsidiado, com R$ 6,983 bilhões em recursos equalizados, correspondentes a 4,92% do total. O Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul) terá R$ 3,253 bilhões, participação de 2,29%, queda de 44,7% em relação ao ciclo anterior. Ao todo, 26 instituições financeiras foram autorizadas a operar recursos equalizados pelo Tesouro Nacional na safra 2026/27, uma a mais que na temporada passada. Entre os novos agentes estão Banco ABC Brasil, Banco BMG, Banco BV, Lar Credi Cooperativa de Crédito e Santander. Deixaram de operar recursos equalizados pelo Tesouro Nacional o Badesul, o Banco de Brasília (BRB), a Credialiança Cooperativa de Crédito Rural e a Stara Financeira. Também participarão da operação dos recursos subsidiados instituições como Banco DLL, Banco John Deere, Banco do Estado do Pará (Banpará), Banco da Amazônia (Basa), Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), Bradesco, Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), CNH Industrial, Desenbahia e Itaú.
A portaria do Ministério da Fazenda estabelece a distribuição dos limites equalizados entre o primeiro semestre da safra, de julho a 31 de dezembro de 2026, e o segundo semestre, de 1º de janeiro a 30 de junho de 2027. O documento também define critérios operacionais para o pagamento mensal da equalização pelo Tesouro Nacional aos agentes financeiros, que deverão seguir as regras estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). A normativa permite ainda que a Secretaria Nacional do Tesouro remaneje limites equalizáveis entre diferentes categorias de financiamento e fontes de recursos, desde que respeitados os valores contratados e as solicitações dos ministérios responsáveis pela agricultura empresarial e familiar. O Tesouro Nacional poderá reduzir limites ou suspender novas contratações de operações equalizadas em caso de insuficiência orçamentária ou necessidade de compensação de despesas adicionais relacionadas a programas de crédito subsidiado.
O governo federal também autorizou a equalização de juros para financiamentos de capital de giro destinados a cooperativas agropecuárias no âmbito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) e do Programa de Capitalização de Cooperativas Agropecuárias (Procap-Agro). Para essas modalidades, foram destinados R$ 544,360 milhões em recursos do Tesouro Nacional. Desse total, R$ 404,860 milhões serão destinados à equalização de financiamentos de capital de giro do Pronaf. Os recursos do Pronaf serão operados pelo Banco do Brasil, com R$ 200 milhões; Banrisul, com R$ 21,6 milhões; Caixa Econômica Federal, com R$ 133,26 milhões; Sicoob, com R$ 20 milhões; e Sicredi, com R$ 30 milhões. Outros R$ 139,500 milhões serão destinados à equalização de juros de financiamentos do Procap-Agro, com participação de Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Sicoob e Sicredi. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.