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24/Jul/2026

Tarifas dos EUA ampliam pressão comercial global

O governo dos Estados Unidos ampliou sua política de elevação de tarifas de importação ao anunciar uma sobretaxa de 50% sobre diversos produtos do Canadá, incluindo vinhos, equipamentos e máquinas elétricas, com vigência prevista a partir de 19 de agosto. A medida sucede a imposição de tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros, ampliando a estratégia comercial adotada pela administração norte-americana em relação a parceiros considerados estratégicos. A adoção das novas medidas ocorre em um contexto de mudanças na base jurídica utilizada pelo governo dos Estados Unidos para sustentar a política tarifária. Após decisão da Suprema Corte norte-americana, em fevereiro, que invalidou parte das tarifas implementadas no início de 2025, o governo utilizou a Seção 122 da Lei de Comércio de 1974 para restabelecer uma tarifa-base de 10% sobre importações. Como esse instrumento possui prazo de vigência limitado e depende de renovação pelo Congresso, a administração passou a recorrer a outros dispositivos legais para manter a política de aumento tarifário.

No caso do Brasil, a investigação comercial foi conduzida com fundamento na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos. Para o Canadá, a nova sobretaxa foi baseada em dispositivo da legislação tarifária de 1930 que autoriza o presidente norte-americano a impor tarifas de até 50% quando houver entendimento de discriminação contra produtos norte-americanos. Trata-se de um mecanismo que, segundo a análise apresentada, não havia sido utilizado anteriormente. As medidas coincidem com a retomada das negociações entre Estados Unidos e México sobre o Acordo Estados Unidos-México-Canadá (USMCA). O Canadá permaneceu fora das tratativas, ao mesmo tempo em que passou a ser alvo das novas tarifas, inclusive sobre produtos atualmente enquadrados nas regras do acordo comercial e beneficiados por isenção tarifária.

A ampliação das barreiras comerciais é interpretada como parte de uma estratégia mais ampla de política externa e econômica dos Estados Unidos, voltada ao fortalecimento de sua influência regional e à contenção da presença econômica da China nas Américas. Nesse contexto, o Brasil é citado como parceiro comercial relevante da China na América Latina, enquanto o Canadá intensificou recentemente sua aproximação comercial com o mercado chinês, incluindo acordos relacionados à importação de veículos elétricos. Apesar da intensificação das medidas protecionistas, permanece a expectativa de continuidade das negociações comerciais entre os Estados Unidos e seus parceiros. A avaliação é de que futuras tarifas adicionais poderão alcançar outros países, embora com abrangência mais limitada do que as anunciadas anteriormente. Também é apontado que fatores econômicos internos dos Estados Unidos, como os impactos sobre os preços ao consumidor e o ambiente político doméstico, poderão influenciar a condução da política comercial norte-americana nos próximos meses. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.