ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

23/Jul/2026

Preços globais de alimentos com tendência de alta

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) avalia que os preços internacionais dos alimentos poderão permanecer sob pressão nos próximos meses, diante da combinação entre a possibilidade de um Super El Niño, tensões geopolíticas, volatilidade nos mercados de energia e incertezas no comércio internacional. Embora não projete uma crise global de oferta de alimentos, a entidade considera que os riscos para o sistema agroalimentar mundial aumentaram significativamente. Um evento intenso de El Niño poderá pressionar determinados mercados agrícolas caso provoque perdas simultâneas em importantes regiões exportadoras ou reduza a disponibilidade de produtos estratégicos.

No entanto, o impacto sobre os preços dependerá da intensidade do fenômeno climático, da evolução da produção mundial, dos níveis de estoques e da capacidade de o comércio internacional redistribuir a oferta entre os mercados consumidores. O sistema agroalimentar global continua apresentando elevada capacidade produtiva, mas opera em um ambiente mais vulnerável em razão da sobreposição de fatores climáticos, geopolíticos e econômicos. Nesse contexto, a volatilidade dos preços da energia, dos fertilizantes e dos custos logísticos amplia os riscos para a produção agrícola e para o abastecimento mundial. A FAO também alerta para o impacto dos preços sobre o acesso aos alimentos, especialmente entre as populações mais vulneráveis.

A organização defende o fortalecimento da produção regional sempre que economicamente viável e a redução de barreiras ao comércio internacional de alimentos como instrumentos para complementar a oferta e contribuir para a estabilidade dos preços. Os agricultores familiares, comunidades tradicionais e pequenos produtores tendem a ser os mais expostos aos efeitos do El Niño, por apresentarem menor capacidade financeira para absorver perdas ou investir em medidas de adaptação. Entre as atividades potencialmente mais afetadas estão as culturas de milho, feijão, arroz, soja, café e hortifrutícolas, além das pastagens, da pecuária, da pesca e da aquicultura. O fenômeno também poderá elevar os custos de produção, especialmente com irrigação, recuperação de áreas, reposição de insumos, proteção de lavouras e rebanhos e despesas relacionadas ao transporte e à logística.

Para o Brasil, a FAO avalia que os efeitos do El Niño deverão ser acompanhados gradualmente, considerando a expectativa de aumento das temperaturas nas Regiões Norte e Nordeste e de maior volume de chuvas nas Regiões Sul e Sudeste. Esse cenário poderá gerar pressão adicional sobre os preços dos alimentos e afetar a produção agropecuária nacional. O Brasil ocupa posição estratégica na segurança alimentar global por reunir elevada capacidade produtiva, diversidade agrícola, recursos naturais e tecnologia. Dessa forma, eventuais choques sucessivos na produção brasileira, provocados por eventos climáticos ou outros fatores, tendem a repercutir diretamente sobre o abastecimento e a estabilidade dos mercados internacionais de alimentos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.