23/Jul/2026
A tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte dos produtos brasileiros entrou em vigor nesta quarta-feira (22/07), ampliando as restrições ao comércio bilateral. A medida foi adotada pelo governo norte-americano após investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que avaliou temas como o sistema de pagamentos Pix, o comércio de etanol e questões relacionadas ao desmatamento na Amazônia. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), a nova tarifa deverá atingir aproximadamente 18% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano, o equivalente a US$ 7,4 bilhões com base nos embarques realizados em 2024. Considerando a pauta exportadora de 2025, a participação dos produtos abrangidos pela medida corresponde a cerca de 15% das vendas brasileiras aos Estados Unidos, totalizando US$ 5,8 bilhões.
A regulamentação da medida também estabeleceu uma lista de 2.126 produtos isentos da tarifa adicional. Segundo o USTR, essas exceções contemplam insumos considerados relevantes para o abastecimento da indústria norte-americana, cuja tributação poderia comprometer a oferta doméstica e provocar impactos sobre a economia dos Estados Unidos. Entre os produtos excluídos da sobretaxa estão café, suco de laranja e carne bovina. O governo brasileiro considera que a medida não possui justificativa técnica, destacando que os Estados Unidos mantêm superávit na balança comercial com o Brasil. Apesar disso, a estratégia adotada pelo governo permanece baseada na negociação diplomática e na construção de medidas de apoio aos setores atingidos, sem definição de eventual aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica.
Após reuniões com representantes do setor produtivo, o vice-presidente Geraldo Alckmin reiterou que a Lei da Reciprocidade Econômica constitui um instrumento previsto na legislação brasileira, cuja eventual utilização depende de um processo administrativo que inclui etapas formais, como consultas e audiências públicas. O governo enfatiza que o objetivo permanece concentrado na busca de uma solução negociada, preservando os canais de diálogo entre os dois países. O MDIC também informou que ainda não há prazo definido para o anúncio das medidas de apoio aos setores afetados. O governo continua realizando reuniões com entidades empresariais para consolidar informações, avaliar os impactos econômicos da tarifa e elaborar mecanismos voltados à mitigação dos efeitos sobre a produção, o emprego e a competitividade das exportações brasileiras. Além da tarifa de 25% já em vigor, os Estados Unidos deverão concluir nos próximos dias uma nova investigação relacionada à importação de produtos fabricados com trabalho forçado.
A expectativa do governo brasileiro e do setor privado é de que seja confirmada uma tarifa adicional de 12,5%, cuja regulamentação deverá esclarecer se haverá incidência cumulativa em relação à tarifa de 25%. Segundo avaliações do setor empresarial, a nova medida tende a abranger um conjunto mais amplo de países, não sendo direcionada exclusivamente ao Brasil. A investigação conduzida pelo USTR envolve 59 países e a União Europeia, com fundamento na alegação de falhas na proibição e fiscalização da importação de produtos produzidos com trabalho forçado. O governo norte-americano argumenta que essas práticas impõem restrições ao comércio dos Estados Unidos. Enquanto aguarda a regulamentação da possível tarifa adicional, o governo brasileiro mantém a estratégia de intensificar as negociações diplomáticas, ampliar a diversificação de mercados para as exportações nacionais e estruturar medidas destinadas a reduzir os impactos sobre os setores atingidos pelas novas barreiras comerciais. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.