23/Jul/2026
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) informou que o governo brasileiro aguarda a definição oficial dos Estados Unidos sobre a aplicação da tarifa adicional de 12,5% a determinados países, entre eles o Brasil, para avaliar se a cobrança será cumulativa à tarifa de 25% já anunciada sobre produtos brasileiros. A expectativa do governo é de que essa definição seja divulgada nos próximos dias, o que permitirá uma avaliação mais precisa dos impactos sobre o comércio bilateral. Segundo o MDIC, quando foi divulgada a lista de produtos sujeitos à tarifa adicional de 25%, não houve incidência cumulativa de outras tarifas, razão pela qual o governo brasileiro aguarda a regulamentação da nova medida antes de definir sua estratégia.
A partir da confirmação das regras aplicáveis, será possível avaliar um novo cenário para as exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano. A tarifa de 25% foi confirmada pelo governo dos Estados Unidos após investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento que permite a adoção de medidas comerciais em resposta a práticas consideradas prejudiciais às empresas norte-americanas. Entre os temas analisados durante a investigação estiveram desmatamento ilegal, pirataria e o sistema brasileiro de pagamentos Pix. Já a tarifa adicional de 12,5%, ainda pendente de confirmação oficial, deverá atingir países que, na avaliação do governo norte-americano, apresentam falhas no combate ao trabalho forçado.
O cenário considerado mais provável é a confirmação da medida, permanecendo indefinida apenas sua forma de aplicação em relação à tarifa já existente. O governo brasileiro informou que temas anteriormente discutidos no âmbito da investigação da Seção 301, como o comércio de etanol, açúcar e as linhas preferenciais de comércio mantidas pelo Brasil com países como Índia e México, deixaram de integrar as negociações com os Estados Unidos após a conclusão da investigação. Paralelamente, o MDIC prepara missão oficial à Índia nas próximas semanas como parte da estratégia de fortalecimento das relações comerciais e ampliação de mercados. O governo federal reafirmou a defesa do sistema multilateral de comércio, das regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e dos acordos de preferência tarifária, destacando que esses instrumentos também são amplamente utilizados pelos próprios Estados Unidos.
Enquanto acompanha a evolução das medidas norte-americanas, o governo intensifica a estratégia de diversificação de mercados para os setores afetados. O cronograma prevê dois marcos relevantes para a definição das próximas ações: a divulgação das regras da eventual tarifa adicional de 12,5% e a entrada em vigor da tarifa de 25% para mercadorias em trânsito, prevista para o dia 29. A partir desses eventos, o governo deverá avaliar medidas destinadas a reduzir os impactos sobre o setor produtivo nacional e dar continuidade às negociações diplomáticas. Entre as propostas em análise estão sugestões apresentadas por entidades empresariais, como o aperfeiçoamento do regime de drawback, a eventual retomada de mecanismos como o Reintegra e ajustes nas condições de acesso aos programas de apoio governamental.
Também permanece em avaliação a proposta da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) de flexibilizar a exigência de manutenção nominal dos empregos para empresas beneficiadas pelas medidas de apoio, tema que continuará sendo discutido em conjunto com o setor produtivo. Para o MDIC, a tendência é que não haja exceções à tarifa de 12,5% que deve ser aplicada pelos Estados Unidos nos próximos dias devido a uma suposta falha do Brasil em combater o trabalho forçado. O governo brasileiro pediu que não haja cumulatividade entre tarifas, mas o cenário é indefinido. O governo avalia a necessidade de entrar com um outro processo na Organização Mundial do Comércio (OMC) devido às tarifas. Porém, é preciso aguardar o novo anúncio de tarifa pelos Estados Unidos para concluir essa análise. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.