23/Jul/2026
O governo federal apresentou nesta quarta-feira (22/07) o Plano Brasil Soberano 3 como novo instrumento de apoio às empresas afetadas pela tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre determinados produtos brasileiros. A iniciativa amplia as medidas de mitigação dos impactos sobre o comércio exterior ao combinar linhas de crédito com mecanismos de garantia voltados ao fortalecimento da atividade econômica. Além da oferta de crédito às empresas atingidas pelas tarifas, o programa institui um seguro-garantia destinado às micro e pequenas empresas, com o objetivo de ampliar o acesso ao financiamento e reduzir os efeitos das restrições impostas ao comércio bilateral.
O governo também reforçou a estratégia de diversificação de mercados externos como forma de reduzir a dependência de destinos específicos para as exportações brasileiras. Nesse contexto, destacou o avanço dos acordos comerciais entre o Mercosul e a União Europeia, bem como com a Associação Europeia de Livre Comércio (Efta), apontando aumento de US$ 2 bilhões nas exportações brasileiras para o bloco europeu nos últimos 60 dias. A avaliação do Executivo é de que a resposta às medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos foi implementada de forma rápida, buscando preservar a competitividade das empresas brasileiras e ampliar alternativas de inserção internacional.
O Brasil Soberano 3 sucede as medidas adotadas no âmbito do Plano Brasil Soberano 2, instituído por meio da Medida Provisória nº 1.345/2025. O programa anterior destinou R$ 15 bilhões em crédito para exportadoras de bens industriais, seus fornecedores e empresas de setores considerados estratégicos para o comércio exterior, contemplando tanto os impactos das tarifas norte-americanas quanto os efeitos das tensões geopolíticas no Oriente Médio. O Plano Brasil Soberano 3 dará R$ 18,5 bilhões em apoio aos setores afetados pelas tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos, além de setores afetados por conflitos ao redor do mundo, como a guerra no Irã. Desses R$ 18,5 bilhões, R$ 13,5 bilhões serão de recursos do Tesouro Nacional, e outros R$ 5 bilhões, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Esses R$ 13,5 bilhões do Tesouro são de recursos de linhas anteriores não utilizadas, disse Moretti. A fase 3 do programa será voltada especialmente aos setores afetados por tarifas, exportadores ao Golfo Pérsico e outros setores estratégicos. O plano mostra que o governo “demonstra preocupação grande com impactos externos no Brasil”. O Plano Brasil Soberano 3 atende não só os afetados pelas tarifas da seção 232 (primeiro tarifaço, sob motivo de segurança nacional), mas também da seção 301 (segundo tarifaço, com base na investigação aberta pelo USTR), além dos setores afetados pelos conflitos. A nova fase do plano é para fortalecer o instrumento de apoio aos setores afetados pelas tarifas dos Estados Unidos. O Brasil Soberano 1 usou R$ 12,2 bilhões e o Brasil Soberano 2, R$ 19,5 bilhões até o momento.
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, disse que não há crise que impeça o Brasil de continuar crescendo, que o País tem condições de “sair mais fortalecido dessa crise” e citou o acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE) como exemplo. Lula ressaltou que o Brasil continua na mesa de negociação, apesar de “nunca” ter encontrado “reciprocidade na conversa”. Esta terceira edição do Brasil Soberano foi viabilizada por uma nova Medida Provisória (MP) assinada pelo presidente Lula, que foi encaminhada ao Congresso Nacional ainda nesta quarta-feira (22/07). A MP autoriza o aproveitamento de recursos do Tesouro Nacional e permite que esses valores sejam combinados com recursos próprios do banco.
O governo federal afirmou que o Plano Brasil Soberano 3 é resultado de um processo de estruturação iniciado em 2025, incorporando a experiência acumulada nas fases anteriores do programa e o diálogo mantido com os setores produtivos afetados pelas medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos. Segundo o Ministério da Fazenda, o programa foi desenvolvido ao longo do último ano para oferecer instrumentos permanentes de apoio diante de impactos provocados por medidas consideradas indevidas sobre o comércio brasileiro. As discussões com os segmentos produtivos vêm sendo realizadas desde o anúncio das primeiras tarifas norte-americanas, em julho de 2025, permitindo identificar as principais demandas e estruturar mecanismos de apoio. O Brasil Soberano 3 atenderá empresas atingidas pelas tarifas impostas pelos Estados Unidos, além de contemplar setores considerados estratégicos para a economia nacional e exportadores com operações destinadas aos países do Golfo Pérsico.
O Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO) destacou que o apoio governamental busca mitigar os efeitos das medidas comerciais sobre a economia brasileira. Parte dos recursos destinados ao programa será proveniente de saldos remanescentes do Brasil Soberano 1 e de recursos relacionados à renegociação de dívidas rurais. O governo também informou que a segunda etapa do programa apresentou elevado nível de execução, com a utilização de R$ 19,5 bilhões dos R$ 21 bilhões disponibilizados. Os recursos remanescentes, devolvidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ao Tesouro Nacional, foram incorporados ao financiamento do Brasil Soberano 3. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.