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23/Jul/2026

EUA prepara novo conjunto de tarifas comerciais

O governo dos Estados Unidos prepara um novo conjunto de tarifas comerciais para substituir as alíquotas temporárias de 10% que expiram nesta sexta-feira (24/07). A mudança ocorre após a decisão da Suprema Corte norte-americana que derrubou, em fevereiro, as tarifas globais impostas pelo presidente Donald Trump, levando a administração a buscar novos instrumentos para recompor a arrecadação prevista. Integrantes do governo norte-americano indicam que parte da substituição ocorrerá por meio de investigações conduzidas com base na Seção 301 da legislação comercial dos Estados Unidos. Uma das investigações, envolvendo 60 economias e abrangendo mais de 90% do comércio norte-americano, já foi concluída e prevê tarifas adicionais para países que, segundo a avaliação do governo dos Estados Unidos, não aplicam de forma suficiente medidas de combate ao trabalho forçado. A proposta estabelece uma tarifa de 10% para países como Canadá, União Europeia, México, Camboja e Malásia.

Para China, Coreia do Sul e Japão, a alíquota prevista é de 12,5%. Apesar da expectativa de implementação rápida, especialistas apontam possibilidade de um intervalo processual, uma vez que o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) ainda avalia cerca de 1,5 mil manifestações recebidas durante o processo de consulta pública sobre a medida. Estimativas do Yale Budget Lab indicam que as tarifas globais inicialmente previstas pelo governo norte-americano poderiam gerar US$ 2,3 trilhões em receitas ao longo de dez anos. Com a substituição por tarifas relacionadas ao combate ao trabalho forçado, a projeção de arrecadação recuou para aproximadamente US$ 2 trilhões. O governo dos Estados Unidos também mantém outras investigações comerciais em andamento. Entre elas está uma apuração sobre excesso de capacidade produtiva, com foco principalmente na China, além de uma proposta em análise pelo Congresso norte-americano que permitiria ao presidente impor tarifas secundárias sobre os cinco maiores compradores de petróleo russo, incluindo Japão e França.

A expectativa de especialistas é que novas medidas tarifárias adicionais não sejam anunciadas antes do encontro previsto entre Donald Trump e o presidente da China, Xi Jinping, no fim de setembro. Fatores internos, como preocupações com a inflação e a alta dos preços dos combustíveis em meio ao conflito com o Irã, também podem influenciar o ritmo de adoção de novas tarifas. Mesmo com essas restrições, a administração norte-americana mantém a estratégia de ampliar a pressão comercial. Nesta quarta-feira (22/07), entraram em vigor tarifas de 25% sobre determinados produtos brasileiros. O governo dos Estados Unidos também anunciou a intenção de aplicar tarifas de 100% sobre medicamentos genéricos a partir de 2028 para empresas que não transferirem sua produção para o país e estabeleceu tarifas de 50% sobre produtos canadenses. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.