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22/Jul/2026

Brasil deve liderar nas exportações agrícolas globais

O Brasil está próximo de assumir a liderança mundial nas exportações de produtos agropecuários, reduzindo significativamente a diferença em relação aos Estados Unidos. Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e do Ministério da Agricultura mostram que, em 2025, os embarques agrícolas norte-americanos somaram US$ 171 bilhões, apenas US$ 2 bilhões acima dos US$ 169 bilhões registrados pelo Brasil. Em 2021, essa diferença era de aproximadamente US$ 56 bilhões. No primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras do agronegócio alcançaram o recorde de US$ 87 bilhões, crescimento de 6% em relação ao mesmo período do ano anterior. O desempenho é sustentado pela liderança do País nas exportações de soja, carne bovina, carne de frango, café, açúcar, suco de laranja e, mais recentemente, algodão, segmento em que o Brasil superou os Estados Unidos como principal exportador mundial.

A expansão brasileira resulta da combinação entre ganhos estruturais de competitividade e mudanças no comércio internacional ocorridas nos últimos anos. Um dos principais fatores apontados por analistas é a reorganização dos fluxos comerciais após a escalada das tensões entre Estados Unidos e China iniciada em 2018. As tarifas impostas pelos Estados Unidos levaram a China a reduzir significativamente suas compras de produtos agrícolas norte-americanos, ampliando sua dependência da oferta brasileira, especialmente de soja. Dados do comércio internacional mostram que, enquanto em 2016 Brasil e Estados Unidos exportavam volumes semelhantes de soja para a China, a participação brasileira cresceu de forma acelerada nos anos seguintes. Em 2025, o Brasil embarcou mais de 80 milhões de toneladas de soja para o mercado chinês, consolidando-se como principal fornecedor da oleaginosa ao país asiático.

Apesar de continuarem registrando elevada capacidade produtiva, os agricultores norte-americanos enfrentam um ambiente de menor rentabilidade, influenciado pelos baixos preços das commodities e pelas consequências das disputas comerciais. Estimativas da American Farm Bureau Federation indicam que, para a próxima safra, produtores dos Estados Unidos poderão registrar prejuízos médios de US$ 138,00 por acre na soja, US$ 167,00 por acre no milho, US$ 145,00 por acre no trigo e US$ 406,00 por acre no algodão. A evolução da agricultura brasileira, contudo, é resultado de um processo de transformação iniciado há várias décadas. A incorporação de áreas do Cerrado à produção agrícola, o desenvolvimento de cultivares adaptadas às condições tropicais, o avanço da correção de solos e a adoção de tecnologias de produção permitiram ampliar significativamente a produtividade e a área cultivada. Outro diferencial competitivo é a possibilidade de realizar duas ou até três safras por ano em diversas regiões produtoras, sobretudo no Centro-Oeste.

Esse modelo aumenta o aproveitamento da infraestrutura produtiva, dilui custos fixos e eleva a eficiência econômica das propriedades rurais. O estado de Mato Grosso simboliza esse processo de expansão, consolidando-se como principal polo de produção de grãos do País. A combinação entre disponibilidade de terras, mecanização, ganhos tecnológicos e elevado potencial produtivo transformou a região em um dos principais motores do crescimento das exportações brasileiras. Apesar do cenário favorável, o setor também enfrenta desafios relevantes. Entre os principais fatores de atenção estão as elevadas taxas de juros domésticas, a volatilidade dos preços internacionais das commodities, o aumento dos custos de fertilizantes decorrente das tensões geopolíticas no Oriente Médio e a elevada dependência brasileira das importações desses insumos. Ainda assim, o desempenho recente das exportações reforça a crescente competitividade do agronegócio brasileiro no mercado internacional e aproxima o País da posição de maior exportador agrícola do mundo. Fonte: BBC News Brasil. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.