22/Jul/2026
De acordo com o relatório “O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo 2026 (SOFI 2026)” divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU), o custo crescente dos alimentos continua sendo um dos principais entraves para a segurança alimentar global, apesar da redução do número de pessoas em situação de fome pelo terceiro ano consecutivo. Cerca de 2,69 bilhões de pessoas, o equivalente a um terço da população mundial, não possuem condições financeiras para manter uma dieta saudável. O levantamento mostra que o custo médio global de uma alimentação saudável atingiu US$ 4,28 por pessoa ao dia em paridade de poder de compra (PPC) em 2025, acima dos US$ 3,44 registrados em 2021 e dos US$ 2,94 observados em 2017. A América Latina e o Caribe apresentaram o maior custo médio diário entre as regiões, alcançando US$ 4,91 em PPC por pessoa.
Na África, 66,6% da população permanece sem capacidade financeira para custear uma alimentação nutritiva. Entre 70% e 75% do preço final pago pelos consumidores é formado pelas etapas posteriores à produção agropecuária. Os segmentos de processamento, logística e atacado representam, isoladamente, até 40% do valor final dos alimentos, evidenciando a importância da eficiência das cadeias de suprimento para ampliar o acesso a alimentos de maior valor nutricional. Para reduzir os custos e ampliar a disponibilidade de alimentos saudáveis, as agências da ONU recomendam a priorização de investimentos em infraestrutura logística, tecnologias de irrigação, expansão das cadeias de frio e pesquisas voltadas à redução das perdas na produção agrícola, medidas consideradas essenciais para aumentar a eficiência dos sistemas alimentares.
O relatório também aponta que a proporção da população mundial em situação de fome recuou para 7,8% em 2025, correspondente a aproximadamente 645 milhões de pessoas, ante 8,1% em 2024 e 8,6% em 2022. Apesar da melhora, a recuperação permanece desigual entre as diferentes regiões do mundo e continua exposta a riscos decorrentes das tensões geopolíticas e dos eventos climáticos extremos. Entre os principais fatores de preocupação estão os desdobramentos da crise no Oriente Médio, que elevam os custos da energia e dos fertilizantes, pressionando a inflação dos alimentos, além das incertezas relacionadas à ocorrência de eventos climáticos extremos, como o El Niño, que podem comprometer a produção agrícola e a oferta global de alimentos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.