20/Jul/2026
O dólar registrou leve alta frente ao Real e encerrou a sessão de sexta-feira (17/07) a R$ 5,11, acompanhando o movimento de valorização da moeda norte-americana diante das divisas emergentes em um ambiente externo marcado por maior aversão ao risco. A escalada das tensões no Oriente Médio, com impactos sobre o mercado de petróleo, e a forte queda das ações de tecnologia contribuíram para a busca por ativos considerados mais seguros. O Real apresentou desempenho relativamente melhor que outras moedas emergentes, favorecido parcialmente pela melhora dos termos de troca associada à alta do petróleo, já que o Brasil é exportador da commodity. O impacto do novo tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e seus possíveis desdobramentos políticos perdeu relevância no mercado cambial nesta sessão.
O dólar encerrou em alta de 0,24%, cotado a R$ 5,11, após oscilar entre a mínima de R$ 5,10 e a máxima de R$ 5,13. Na semana passada, a moeda norte-americana acumulou variação positiva de 0,05%. Em julho, registra queda de 1%, após alta de 2,38% em junho, enquanto no acumulado de 2026 apresenta desvalorização de 6,88% frente ao Real. A resiliência da moeda brasileira está associada ao diferencial elevado de juros, que mantém o Real entre as divisas emergentes mais protegidas pelo fluxo de capital, e ao cenário externo mais favorável para exportadores de commodities. A forte expansão das vendas brasileiras para a China no primeiro semestre também contribuiu para compensar a retração das exportações destinadas aos Estados Unidos.
No mercado internacional, o petróleo avançou mais de 4% com a intensificação dos conflitos no Oriente Médio e a manutenção do fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de energia. O contrato Brent para setembro, referência para a Petrobras, subiu 4,59%, para US$ 88,10 por barril, enquanto o WTI para agosto avançou 4,47%, para US$ 81,78 por barril. O índice DXY, que mede o comportamento do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, permaneceu próximo da estabilidade, ao redor de 100,700 pontos. A busca por segurança favoreceu moedas como o franco suíço, enquanto a coroa norueguesa ganhou força com a valorização do petróleo. O indicador encerrou a semana passada com queda próxima de 0,20% e recuo de quase 0,50% no mês.
Os investidores seguem monitorando os impactos do conflito no Oriente Médio sobre os preços do petróleo, a inflação global e a trajetória dos juros nos Estados Unidos. A desaceleração dos índices de preços ao consumidor e ao produtor norte-americanos em junho reduziu as preocupações com uma postura monetária ainda mais restritiva pelo Federal Reserve (Fed), apesar do tom cauteloso de dirigentes da instituição. O cenário de curto prazo permanece condicionado ao comportamento do petróleo e ao potencial aumento da volatilidade cambial. A avaliação é de que uma manutenção prolongada das tensões geopolíticas pode ampliar os riscos de movimentos mais intensos do dólar, especialmente caso o mercado passe a precificar um choque mais persistente de oferta de energia. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.